
Muitos não quiseram nem passar em frente ao cinema para assistir a esse filme de animação de Tim Burton. Tudo bem! Falar sobre morte não dá muita audiência. A questão é que, mais uma vez, o falar sobre a morte é uma desculpa para se falar sobre a vida.
Inspirado numa lenda russa, “A Noiva Cadáver” é uma fábula que deve ser vista preferencialmente por adolescentes e adultos, decididamente não é para crianças. O filme conta a história de Victor filho de ricos comerciantes de peixe que é forçado a se casar com Victória, filha de uma família tradicional mas que padece de um grave problema: está sem dinheiro. Assim, o que ela tem de mais valioso a oferecer é o nome, situação perfeita para um casamento de conveniência.
O casamento é adiado porque o padre não acredita que Victor esteja em condições físicas e psicológicas para se casar. Assim, nosso herói vai até a floresta para ensaiar a cerimônia. Ao colocar a aliança no que pensa ser um galho seco, na verdade, Victor a estava colocando no dedo de uma jovem morta no dia do seu casamento e que estava enterrada ali apenas para que alguém pudesse, ao casar-se com ela nessas condições, trazê-la do mundo dos mortos ou ser levado para ele. Assustado e ao mesmo tempo constrangido, Victor não consegue encontrar meios para desfazer o mal entendido com “A Noiva Cadáver”. Assim, desenrola-se uma trama divertida com números musicais surpreendentes e um cenário gótico de tirar o fôlego.
Mas o filme traz uma outra discussão que vai além da qualidade técnica da animação e das melodias e letras inteligentes. A imposição das normas sociais que cercam Victor faz com que a tensão do personagem se transporte para quem assiste o filme. Na verdade, diante da fatalidade da morte, o que de fato estamos fazendo de nossas vidas? Estamos no controle da situação ou somos meros joguetes das convenções sociais?
É essa fina ironia que Burton nos propõe ao subverter o sentido tradicional da estética relacionada a morte. Na verdade, o clima fica sombrio e frio quando os vivos aparecem. Quando os mortos contracenam, as cores são mais vivas e intensas bem como as músicas mais alegres. A mensagem esta ali para ser claramente lida. Não há sentido algum em estarmos mortos para a vida!
De resto, o filme é uma exótica história de amor...cheia de desencontros e encantamento. Também é uma forma inteligente de se pensar e mostrar a morte. Se o mundo da morte se mistura com o mundo dos vivos (como acontece na animação), cabe a nós buscarmos a felicidade aqui e agora, lutarmos para afastar a sombra e iluminar nossas vidas antes que a chama se apague!
ERASMO RUIZ
Adorei esse filme!
ResponderExcluirE olha só, eu não passei para meus alunos
(de oito anos), mas eles assistiram
com os pais e, pelos comentários que fizeram, vi que compreenderam direitinho o filme e algo
do que se passa nas entrelinhas.
As crianças estão muito espertas! rss
Amei seus comentários, meu amigo.
sempre gostei desse filme porque o achava com uma bela fotografia ainda não tinha visto por esse angulo.
ResponderExcluirah! e realmente deve ser um bom filme pra falar de morte pra crianças rss
muito bom!