terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Um Rápido Olhar Sobre a Morte no ORKUT (Erasmo Ruiz)
Você leitor deve muito provavelmente fazer parte de alguam rede social na internet. Eu mesmo sou um assíduo frequentador do Facebook e tenho também uma perfil no Orkut.
Um dos motivos para se entender o vertiginoso sucesso das redes sociais pelo mundo é que se tornaram o novo veículo de comunicação de idéias. Estão gradualmente assumindo o lugar dos livros, panfletos e da mídia de massa por terem um caráter mais dinâmico e interativo. O que penso agora é quase imediatamente "metabolizado" pelos outros e estes me oferecem sentidos ao que pensei de uma forma muito rápida. Ha portanto troca rápida de idéias mesmo que muitos critiquem o que é trocado e o contexto em que estas trocas ocorram.
Ma o fato é que as redes vão fazendo parte do cotidiano. O exemplo mais recente é o papel que o facebook teve no corrente processo de mudança política no mundo árabe. Muitas manifestações foram organizadas e convocadas a partir do Facebook. E o fascínio é tamanho que no Egito um homem deu à sua filha o nome de Facebook. Para boa sorte da criança, é um alívio pensar que o Sonico ou o Orkut não tenham tanta penetração no mundo árabe.
Mas outra explicação para a disseminação das redes sociais vem da maneira como organizam os grupos em torno dos interesses das pessoas. Alguém que goste de Elvis Presley ou Amado Batista encontrará sua "tribo" para conversar sobre temas dos seus ídolos.
Quem for Marxista poderá debater com autores conservadores a partir dos grupos que se formam em torno de temáticas políticas. Quem defender os Palestinos ou Israel nas questões do oriente médio poderá se degladiar em frente as telas de computador de uma forma um tanto mais segura do que nos locais onde o conflito real acontece.
Mas falemos especificamente do ORKUT. De longe ainda é a rede social mais popular no Brasil. E, para aqueles que tenham a morte como interesse, poderão encontrar lá muitas comunidades. Alias, você que nos lê agora deve fazer parte de algumas delas.
Eu perguntaria então, qual a comunidade sobre a morte que teria a maior quantidade de inscritos? Errou quem disse que é a de Tanatologia moderada por Sarah Carneiro (hoje com 2.411 membros). Na verdade, a comunidade com mais inscritos é o "Profiles de Gente Morta" (com 80.245 membros). Mal alguém no Orkut morre e logo saberemos. O perfil é imediatamente divulgado com especial ênfase para aqueles que tiveram morte dramática (assassinato, suicídio, acidentes de carro etc).
Os contéudos dos tópicos no "Profiles de Gente Morta" mereceriam um vasto estudo. Um grande painel onde encontraremos desde singelas e comoventes homenagens à memória dos mortos até uma catarse coletiva de ódio e ressentimento frente àqueles que perpetraram atos de violência que, muitas vezes, também terão seus perfis na rede.
O Orkut expressaria um complexo mosaico daquilo que temos de bom e ruim, de belo e feio ou, simplesmente, um espelho as vezes um tanto opaco das contradições da condição humana. Alguns podem achar esta comunidade do ORKUT absolutamente inconveniente ou mesmo "trash" como diriam alguns. Eu prefiro vê-la como um painel instigante dos medos, anseios e curiosidades que existem no em torno da morte, um instigante objeto de pesquisa a dispoosição daqueles que tenham interesse em estudar as Representações Sociais da Morte.
Mas vou parando por aqui. Vou divulgar este post no Facebook e no Orkut. Quem sabe eu e você leitor nos encontremos por ai pelas redes. Mas, sinceramente, espero continuar como vivo durante muito tempo e não como objeto de curiosidade mórbida ou expresão de (in)justas homenagens no "Profiles de Gente Morta".
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Transformando Mortos em Quadros (Erasmo Ruiz)
Na história da arte sempre notaremos a morte como tema, afinal, se o tema da arte é a vida, e como é um dos atributos dos seres vivos morrerem, é natural que a morte seja recorrentemente um objeto da arte.
Mas a criatividade as vezes tem o dom de nos surpreender. Como já mostramos outro dia, podemos transformar nossos mortos em jóias. Mas as cinzas de uma cremação podem ter outras utilidades.
É o que nos alerta o site Loved Ones Art que nos propõe a seguinte questão: depois de cremarmos um ente querido, o que fazemos das cinzas? Parte desse dilema pode estar resolvido pelos últimos desejos do morto. Alguns podem querer que suas cinzas sejam jogadas no mar, outros no belo jardim de casa ou então alguém pode pedir para ser guardado para sempre ao lado de sua querida coleção de livros constrangendo pessoas desacostumadas a lidarem com a morte a verem todos os dias aquele memento mori em meio a enciclopédias e livros de arte.
Mas a maioria de nós não tem como tema a discussão do que deve ser feito do seu futuro cadáver. Um dia talvez sejamos candidatos a sermos cremados. Hoje, em muitos países, a cremação é incentivada basicamente pelas pressões da especulação imobiliária (os cemitérios ocupam muito espaço) e, de outro lado, pelas nossas dificuldades em ter que assumir a responsabilidade de cuidar de túmulos (que coisa mórbida pensaria muita gente).
Assim, uma das alternativas é transformar as cinzas em pigmentos de tinta que comporão um quadro que pode, a partir de seu tema, ser uma espécie de homenagem a reverenciar a memória do morto ou, quem sabe, a idealização que os vivos possuem dele. Mas o importante aqui é preservar memória de alguma forma.
O artista chama-se Michael Butler. Para produzir seus quadros pede uma fotografia que seja de alguma forma uma referência afetiva para o cliente. A partir da foto, Michael faz uma composição de estilo impressionista que, de nosso ponto de vista, denota o efetivo talento do artista. Os quadros mostrados até agora neste texto são dele e foram feitos utilizando cinzas humanas a partir de cremações.
Michael Butler
Caso o leitor esteja interessado em usufruir dos serviços do artista, todas as informações podem ser obtidas no site, tudo de uma maneira muito discreta, do jeito americano de ser.
Caso desejasse ter minha memória perpetuada dessa maneira, passar à eternidade como um quadro a mostrar o intenso movimento da vida urbana seria mais adequado ao meu jeito de ser. Neste sentido, na perspectiva do impressionismo post mortem, estou mais próximo de Pissarro do que de Monet.
Boulevard Montmartre (Camile Pissarro)
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Transformando Mortos em Jóias (Erasmo Ruiz)
Alguns devem se lembrar da célebre frase romântica: "Meu amor, para mim você é uma jóia". Bem, agora a tecnologia possibilita que essa frase possa ser...digamos...um tanto literal. O site lifegem promete que poderá transformar sua amada ou seu amado em um diamante. Claro, ele ou ela terá que estar morto antes.
Os valores podem variar de 2 a 25 mil dólares, apenas para o diamante gerado a apartir das cinzas do falecido(a). Mas este preço poderá subir caso o cliente opte por colocar a pedra em algum outro adereço que poderá ser um anel, um colar, um broche, enfim, as possibildiades são muitas.
A possibilidade de tramnsformar restos humanos em objetos de arte e decoração sempre estive presente no transcorrer da História. .Caveiras já foram usadas como taças, ossos humanos serviram para colares ou mesmo esculturas. O que a tecnologia faz é expandir essas possibilidades. Muitos dirão que ter um diamante feito a partir das cinzas da mulher amada nas abotoaduras pode parecer um tanto mórbido. Eu iria além. Digo apenas que faz parte das muitas estratégias que se pode adotar para manter a integridade da memória daqueles que partem antes de nós.
Parece fazer parte da condição humana o agir para negarr a morte. Mesmo que de um ponto de vista mais materialista, que afirma claramente a impossibilidade de uma pós vida para a consciência do morto, ainda assim, se a morte é um problema para os vivos, temos a necessidade de afirmar um certo sentido de permanência.
Como os diamantes são eternos, podemos assim "eternizar" nossos objetos de afeto, tornando-os "imortais" para transcenderem nossas próprias vidas. Duvida? Então dê uma passadinha no lifegem
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