domingo, 17 de outubro de 2010

Thanatos no mundo





O blogue da THANATOS saúda seus mais de 50.000 acessos. Pessoas de todo o mundo que estão preocupadas com informação de qualidade acerca dos estudos e pesquisas sobre a morte e o morrer.
Se você quiser divulgar o seu trabalho sobre tanatologia, envie-nos um e-mail. Faça parte dessa comunidade virtual que cresce a cada dia, presente em três continentes.


O mapa abaixo dá uma ideia desse alcance (fonte: administradora do blogue):

















Brasil
 (9.217)




Estados Unidos
 (1.505)




Portugal
 (498)




Rússia
 (328)




Holanda
 (130)




Alemanha
 (106)




Ucrânia
 (100)




Japão
 (84)




Letônia
 (64)




Canadá
 (40)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Convívio com a Morte no Exercício Profissional (Erasmo Ruiz)



O texto aqui apresentado é um resumo da exposição feita no 9o Congresso Brasileiro de Dor, realizado em Fortaleza entre 6 e 9 de outubro de 2010, durante o Simpósio Satélite de Cuidados Paliativos. A apresentação no formato "power point" pode ser vista acima.







Começamos nossa exposição convidando os presntes a refletirem sobre os dados da pesquisa da Revista "The Economist" sobre o índice de qualidade de morte onde o Brasil ocupava o 38o lugar, a frente apenas de Uganda e Índia. Concluimos que isso acontecia porque no Brasil se morria mau, principalmente pela forma que os pacientes moribundos eram assisitidos em correlação com a usência de uma rede efetiva de cuidados paliativos. Dados recentes sianlizam que o Brasil teria algo em tornod e 355 leitos para cuidados paliativos, número este claramente insuficiente.



Assim, parece que nosso convívio com a morte é caracterizado por comportamentos que afirmam sua negação, o que leva os pacientes a serem cuidados de forma inadequada. A consequência disso é a amplificação do sofrimento de pacientes e faamiliares bem como o desgaste físico e emocional dos profissionais de saúde. Foi enfatizado que isso não se dá necessariamnre porque as pessoas sejam perversas, muito pelo contrário.



Os profissionais aprendem a lidar com a morte apenas a partir da significação da dor de experiências negativas. No início de suas carreiras, ao estabelecerem vínculos afetivos com os pacientes, acabam perdendo muitos deles, um após o outro. Aqui utilizamos a metáforo da adolescente que vai perdendo seus parceiros afetivos. Com o passar do tempo não conseguirá mais estabelecer vinculações emocionais onde haja maior envolvimento por conta do medo da perda que fatalmente ocorrerá novamente.



Há que se buscar então uma nova forma de se lidar com a morte que se afaste de representações negativas de cunho belicista ("luta contra a morte", "enfrentamento da morte", "combate cintra a morte") por outras que vejam a morte como um aspecto da existência humana que devemos entender para produzirmos saúde e vida. As metáforas de "enfrentamento" são altamente frustrantes na medida em que nos coloca num falso jogo competitivo onde sempre perderemos a luta.



Na sua parte final a exposição avança para maneiras como abordar a problemática da morte nos serviços destacando para as necessidades de se mudar a ambiência da morte (necrotérios humanizados que permitam ambiente adequado e a realização de pre-velório), legitimação dos comportamentos de luto (crítica sobre a medicalização da dor e do sofrimento decorrentes das perdas já que estas expressões seriam naturais e não propriamente "doenças") e busca de alternativas para que os "ruídos" no entorno da morte possam ser trabalhados de maneira adequada no espaço institucional (formação de rodas de discussão onde os trabalhadores possam falar sobre o próprio sofrimento decocrrente da perda de pacientes bem como buscar soluções para tornar o trabalho no entorno da morte mais humanizado, construindo modificações na forma como é realizado).



Encerrando, buscamos enfatizar que em termos da vulnerabildiade e do sofrimento não existem diferenças entre pacientes e nós no papel de cuidadores. Ao mesmo tempo em que buscamos construir nossa felicidade, somos seres que também temos que aprender a lidar com perdas e com nossas vulnerabilidades. Essa problmemática é fundamental para todos os trabalhadores de saúde mas tem sua marca mais evidente no trabalhador médico que pode ser vítima do seu próprio narcisismo ao ser responsabilizado pela manutenção do bem mais importante para qualquer ser humano: a vida!. Ainda assim, acreditar ser um "super-herói" não muda a realidade de que os "herois" sofrem, envelhecem e morrem.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

9o Congresso Brasileiro de Dor: Simpósio Satélite Discute Cuidados Paliativos e a Convivência com a Morte





Desde 6 de outubro está sendo realizado em Fortaleza o 9o Congresso Brasileirto da Dor (9oCBDOR). Um painel vasto de muitos estudos , novas terapêuticas, utilização de práticas ancestrais (como a acumputura chinesa) e novos medicamentos que combatem a dor formam um amplo panorama de atividades que abrangem as muitas áreas e disciplinas profissionais que lidam com a temática.



Embora a presença de médicos seja majoritária, este ano, o congresso abriu suas portas também aos pacientes que tem participado de algumas atividades onde relatam seus sintomas, sofrimentos e trajetórias oferecendo um caráter mais sensível e humanizador a programações que normalmente enfatizam intensamente os conteúdos de ordem técnica.



Chama a atenção na grade de programação (que pode ser visualziada aqui)  atividades de cunho interdisciplinar ressaltando a importância de enfoques com olhares mais abrangestes pois a dor é um fenômeno que não pode ser reduzido apenas às suas manifestações biológicas.



Participarmos de um dos simpósios satelites intitulado de "Cuidados Paliativos", por sinal, muito concorrido. Tivemnos a grata satisfação de desfrutar da copanhia da Dra Inês Melo coodenadora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital da UNIMED em Fiortaleza que expôs sobre o Tema "Cuidados Paliativos: Princípios Básicos", e também da Dra Judymara Lauzi Gozzani que expôs sobre a temática "Opioides e Cuidados Paliativos". Coube a nós, por fim, desenvolvermos o tema "O convívio com a Morte no Exercício Profissional".



Para breve postaremos uma síntese de nossa fala no 9o CBDOR

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

IV CONGRESSO INTERNACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS (dia 07/10/10)



Abertura dos trabalhos no horário, com a sessão Encontros com o professor, distribuídos em três salas: auditório 01: Náusea e vômito em cuidados paliativos, com Veruska Menegattti Hatanaka, auditório 02: Hipodermóclise, com Eliete Azevedo, e auditório 03: Luto em cuidados paliativos (encontro da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia), com Maria Helena Franco., que, por sinal, foi a sala mais disputada.




Na sessão plenária, Lawrence Librach falou sobre as estratégias políticas usadas no Canadá para a construção de uma educação para os cuidados paliativos. Ele destacou aspectos gerais e outros particulares considerados importantes para a implementação dessas estratégias. Entre essas, consideradas muito importantes, estão as influências da sociedade atual (novas epidemias e tecnologias médicas, consumismo e acesso a informação) e micro-forças, dentre as quais o papel das lideranças e das instituições envolvidas com o projeto de cuidados paliativos.
Igualmente falou sobre sua experiência na construção do Temmy Latner Centre for Palliative Care, no Canadá, destacando-o como um processo articulado com essas forças e tendo que enfrentar dificuldades das mais diversas ordens, embora o tenha apresentado como um projeto sem volta. As dificuldades foram mais facilmente enfrentadas com a criação de um coletivo que reuniu lideranças e interessados em uma política de cuidados paliativos. Mais informações, segundo ele, podem ser obtidas no site: www.goldstandardsframework.nhs.uk.


Henrique Parsons segue Lawrence e fala sobre o EPEC Brasil. Sua fala começa justamente recapitulando a origem do EPEC e como ele está sendo «nacionalizado». EPEC significa Educação em Cuidados Paliativos e Cuidados no Final da Vida. O projeto tem algumas dificuldades no Brasil por questões ideológicas (há quem seja contra), por ignorância (não sabe o que é ) e por falta de informações (há muitos praticando sem saber o que faz). A vantagem dessa educação é que todas essas pessoas vão morrer e todas elas precisarão de cuidados. A geração futura deve ser o nosso foco, pois é essa que cuidará da geração atual. O EPEC não forma paliativista, ele apenas fornece ferramentas pedagógicas e ideológicas, o que forma o paliativista é a prática cotidiana em lidar com as pessoas em fim de vida. As competências básicas dessa formação envolvem a relação família, sociedade, paciente e profissional, o que envolve habilidades como comunicação. Ao explicar a metodologia da EPEC Brasil, Henrique mostra a abrangência (online 80% e presencial 20%) e o público (que, segundo ele, ainda estará muito voltado para os médicos). A metodologia ainda envolve chats, foruns, treinamentos e provas. Ele termina sua fala evocando Vila-Lobos com uma educação não sobre pássaros empalhados, mas pássaros vivos que possam voar. Seu e-mail é: hparsons@mdanderson.org.


No debate, Henrique Parsons promete o início do EPEC Brasil para 2011, com a possibilidade de uma turma formada em final de 2012.


Após a sessão plenária, cafezinho e visita aos posteres. Apresentações de todo o Brasil sobre os mais diversos aspectos em cuidados paliativos. O pessoal de psicologia e enfermagem arrasando. Meus parabéns.


A sequência nos trouxe às sessões de temas livres. No anfiteatro, Simpósio do CFM, Declaração antecipada de Vontade, Diretiza antecipada como instrumento jurídico, Terminalidade e decisões no atendimento à criança, O médico como agente da autonomia. Na sala 2, Controvérsias em cuidados paliativos, Terapia renal substitutiva, Uso de antimicrobianos no final da vida. Sala 2, Perfil de atendimento da equipe de cuidados paliativos em um hospital universitário, Critérios de identificação de demanda para cuidados paliativos e de regulação no contexto do SUS, Educação em cuidados paliativos na rede municipal de saúde de Campinas, Estudo comparativo por grupo etário de pacientes em cuidados paliativos atendidos em um hospital universitário, Protocolos de avaliação como ferramenta clínica e científica no campo dos cuidados paliativos. Na sala 3, Psicologia e cuidados paliativos, cuidados com o profissional que atua em cuidados paliativos, Assistência ao adulto e formação profissional, Assistência à criança, ao adolescente e ao neonato.





Á tarde do dia 07


Sessão plenária II: Cuidados paliativos como um direito do cidadão, coordenado por Ligia Py. Os palestrantes Ayala Gurgel e Cláudia Burlá apresentaram, respectivamente, os temas O direito à autonomia e à dignidade e A prática clínica como instrumento do direito. Na sua fala, Ayala destacou a relação dialética entre dignidade e autonomia, mas fez questão de destacar que ambos os conceitos são historicamente determinados e que comportam inúmeras contradições. No final, chamou atenção para o cuidado de evitar que tal especialidade médica não se torne uma mercadoria a mais como outra qualquer. Claudia destaca, a partir de uma fala de Rubem Alves (O Médico) de que os cuidados paliativos são uma realidade necessária e que deve tocar mais a alma do que o corpo.


Nova sessão de visitas aos posteres. São, ao todo, 136 trabalhos, oriundos de instituições de todo o país, com as mais diversas metodologias, dentre as quais relato de caso, estudos descritivos e análise das narrativas são as mais destacadas.


A última sessão da tarde, troca de experiências, foi dividida por salas, sendo no Anfiteatro o tema Educação em cuidados paliativos durante a graduação, contando com a presença de Reinaldo Ayer, Lawrence Librach, Rita de Cássia Macieira e Maria Júlia Paes da Silva; na sala 1, Interface dos cuidados paliativos com outras áreas do saber, contando com a presença de Maria Goretti, Alfredo Helito, Chei Tung Teng, Eduardo Siqueira; a sala 2, Caso clínico com narrativa oral de paciente em cuidado paliativo internado em domicílio, contando com a presença de Julieta Fripp, Fábio Olivieri, Rosmari Vieira e Marília Othero; na sala 3, Experiências brasileiras em cuidados paliativos, contando com a presença de Marília Othero, Julieta Fripp, Mirela Rebello e Antonina Pontes.


À noite, a ANCP ofereceu um jantar para os conferencistas, na Lellis Trattoria.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

IV CONGRESSO INTERNACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS



O evento acontece no Instituto de Estudos e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês e tem como tema Educar Para Paliar, cuja organização, à cargo da ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos), conta com o apoio do CFM (Conselho Federal de Medicina), AMB (Associação Médica Brasileira), MS (Ministério da Saúde), FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A médica Maria Goretti, anfitriã e mestre de cerimônia do congresso, destaca para o fato de no Brasil ainda não há a especialidade de paliativista, mas isso não impede de que os paliativistas brasileiros sejam chamados assim, pois de fato eles são palia ativistas.


Na abertura, a médica Silvia Barbosa, presidente da ANCP relembrou o mito de Quíron para mostrar como é importante lembrar da dor e do sofrimento. Ela é uma dimensão de humanidade que não pode ser esquecida, justamente para saber o que deve ser feito para cuidar daquele que se encontra em situações de dor e sofrimento. Ao encontro dessa lembrança mitológica estão os cuidados paliativos.


O cerimonial dá destaque para a vergonha que o Brasil passa por não ter estruturado como política de saúde os cuidados paliativos, como apareceu recentemente na classificação dada pela The Economist.


O médico Roberto Bettega, representante da Associação Latino-Americana de Cuidados Paliativos, compondo a mesa de abertura, destaca o crescimento que os cuidados paliativos vêm tendo no Brasil, embora ainda precise de uma organização mais estruturada no âmbito das políticas governamentais. Essa estrutura poderia dar mais visibilidade aos cuidados paliativos e aparecer como ação nos indicadores de saúde.


O médico Roberto D'Ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina, quebrando o protocolo e vindo para junto do público, destaca seu entusiasmo com a causa que a ANCP tem abraçado. Ele acredita que essa ação é uma ação romântica – aquela que nela mesma traz a sua recompensa, e que não diz respeito só ao paciente que é auxiliado, mas ao próprio trabalho profissional. Ele retoma o mito de Quíron e mostra que a associação feita com Esculápio traz simbolismos que podem se afastar dos cuidados paliativos. É o caso quando Esculápio não permite mais que ninguém morra, precisando da intervenção de Hades e Zeus, culminando com a morte de Esculápio, para que as pessoas voltem a morrer. Assume que a criação da Câmara Técnica em Terminalidade dentro do CFM foi um passo importante, mas ainda há muito a fazer. E promete: «ainda esse ano sairá uma resolução criando a área de cuidados paliativos como uma especialidade médica».


O congresso foi precedido no dia 06 de outubro por quatro cursos sobre temas específicos de cuidados paliativos: Curso Casa do Cuidar (conceitos, princípios e indicações de cuidados paliativos), Curso Palliare (organização da assistência em cuidados paliativos), Curso Instituto Paliar (comunicação em cuidados paliativos) e Curso de Enfermagem (gerenciamento de Enfermagem em cuidados paliativos).

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Cobertura da Thanatos a Congresso sobre Dor e Cuidados Paliativos

A Thanatos dará cobertura a dois eventos que acontecerão essa semana sobre cuidados aos moribundos: o IV Congresso Internacional de Cuidados Paliativos, a ocorrer em São Paulo; e o IX Congresso Brasileiro de Dor, a ocorrer em Fortaleza, ambos no período de 06 a 09 de outubro de 2010. Ayala Gurgel (filósofo/tanatólogo) participará do primeiro e Erasmo Ruiz (psicólogo/tanatólogo), do segundo, ambos na qualidade de palestrantes. O objetivo é oferecer a quem frequenta o nosso blogue informações atualizadas sobre os dois eventos, cuja importância é inquestionável para a formação de recursos humanos na área da tanatologia.

A Thanatos fica muito feliz por ter sido convidada a participar dos dois eventos. É o reconhecimento da sociedade científica de que a seriedade, dedicação e competência com a qual fazemos nosso trabalho merece espaço nos grandes congressos sobre o assunto.