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domingo, 8 de janeiro de 2012

A Superação da Dor da Perda: "Vento no Litoral" de Renato Russo (Ney Ronaldy de Oliveira Paula)

Renato, em sua música Vento no Litoral, nos mostra a dor de quem sofre por não ter mais a pessoa que tanto gostava por perto. As lembranças, os planos... Tudo isto é quebrado por um fim antes do programado. Este é o problema. Temos a idéia de ter tudo planejado. E a morte não está em nossos planos. 


Tentamos esquecê-la. Deixamo-la de lado. O inesperado encontro com o inevitável. E quando nos deparamos com essa realidade presente em nossas vidas, não sabemos ao certo o que fazer. Perdemos o rumo. Envolvemo-nos em dor e angústia.
Para isso é que as palavras de Renato Russo apontam o caminho para a amenização do sofrimento.






"Eu deixo a onda me acertar

E o vento vai levando

Tudo embora…"




O vento, as ondas, a linha do horizonte... Todos em busca de mostrar que o sofrimento pode ser convertido em bom saudosismo. Saber que você já viveu tudo aquilo revela-nos que tudo valeu a pena e ainda valerá. As experiências passadas nos apontam que vale a pena viver as futuras.




"E quando vejo o mar

Existe algo que diz

Que a vida continua

E se entregar é uma bobagem…"





A bobagem de entregar a vida... Afinal, ainda temos muito que viver mesmo para aqueles com vidas desenganadas por médicos, que ouviram dizer que não passarão de uma semana... Para todos, a vida, sim, não vale ser entregue. Há de sabermos aproveitá-la. Este deve ser o objetivo de todos. Aproveitá-la com quem nos fazem felizes e, caso aconteça algo em nossa caminhada, que possamos saber que foi escolhido o que realmente importa.




"Lembra que o plano

Era ficarmos bem…"


O plano é esse. Sermos felizes. Fazer o que nos traz alegria. "Carpe diem"! Nossos dias são estes. Não haverá mais um 08/01/2012 para contarmos. O que fazemos de nossas vidas é o que podemos levar de nossas experiências. E até isso não se fica. Mas o plano... Sempre seguir em frente.




"Agimos certo sem querer

Foi só o tempo que errou"





O inesperado, presente em nossas vidas, muda rumos, e o tempo parece ser o maior vilão quando percebemos que não se pode mais voltar e reescrever nossa história. E isso nos faz refletirmos a respeito de que devemos escolher sempre o melhor para nós, para que não nos arrependamos. Quantos domingos em família nós não abdicamos para passar horas e horas nos dedicando ao trabalho?




Quantas sextas-feiras não saímos com nosso amor para uma noite romântica a fim de uma reunião interminável sobre um tema mais chato do que você poderia imaginar? Uma filha sem o pai devido este estar atolado no trabalho em busca do melhor para sua filha quando, na realidade, o melhor para ela era somente a presença dele do seu lado?




Quantos “me desculpe” não são pronunciados por egocentrismo e orgulho, quando, muitas vezes, estas palavras fazem um bem danado para quem as ouve e, talvez bem mais, para quem as fala?
Por esta música, o vocalista da Legião nos mostra a dificuldade de superar uma perda inestimável. Para isso, a de se seguir em frente, aproveitar nossas vidas, não deixando para descobrir o quanto elas são preciosas só no final, pois o que queremos é ser sempre felizes.




Não deixar para o final as coisas boas, pois o final pode ser agora. "Carpe diem" a todos!


Ney Ronaldy de Oliveira Paula

domingo, 30 de outubro de 2011

Não Tenho Medo da Morte (Gilberto Gil)





Gilberto Gil nos ensina a diferença entre "morte" e "morrer" nessa inteligente página da música popular brasileira.









não tenho medo da morte

mas sim medo de morrer

qual seria a diferença

você há de perguntar

é que a morte já é depois

que eu deixar de respirar

morrer ainda é aqui

na vida, no sol, no ar

ainda pode haver dor

ou vontade de mijar

a morte já é depois

já não haverá ninguém

como eu aqui agora

pensando sobre o além

já não haverá o além

o além já será então

não terei pé nem cabeça

nem figado, nem pulmão

como poderei ter medo

se não terei coração?

não tenho medo da morte

mas medo de morrer, sim

a morte e depois de mim

mas quem vai morrer sou eu

o derradeiro ato meu

e eu terei de estar presente

assim como um presidente

dando posse ao sucessor

terei que morrer vivendo

sabendo que já me vou

então nesse instante sim

sofrerei quem sabe um choque

um piripaque, ou um baque

um calafrio ou um toque

coisas naturais da vida

como comer, caminhar

morrer de morte matada

morrer de morte morrida

quem sabe eu sinta saudade

como em qualquer despedida.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Meu Mundo É Hoje (Wilson Batista)





Em algumas oportunidades estaremos deixando aqui músicas que nos façam refletir sobre a vida e a morte. Vamos começar então com essa pérola de Wilson Batista na interpretação de Paulino da Viola.



Meu Mundo É Hoje





Eu sou assim

Quem quiser gostar de mim eu sou assim

Eu sou assim

Quem quiser gostar de mim eu sou assim



Meu mundo é hoje

Não existe amanhã pra mim

E sou assim

Assim morrerei um dia

Não levarei arrependimentos

Nem o peso da hipocrisia



Eu sou assim...



Meu mundo é hoje...



Tenho pena daqueles

Que se agacham até o chão

Enganando a si mesmos

Com dinheiro, posição

Nunca tomei parte

Desse enorme batalhão

Pois sei que além de flores

Nada mais vai no caixão



(Wilson Batista)