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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Brasil é 38° em ranking de qualidade de morte (Ayala Gurgel)

A Economist Intelligence Unit divulgou  estudo que avalia a qualidade de morte em 40 países. 

O resultado deixou a Grã-Bretanha em primeiro lugar, seguida da Austrália e Nova Zelândia. O Brasil em 38, próximo da Índia (40ª), China (37ª) e Rússia (35ª). A principal razão para isso, segundo a revista, é a presença e qualidade de uma política de assistência paliativista nesses países.
A dignidade humana dos moribundos deixa de ser apenas uma bandeira de luta e passa a ser um indicativo moral da assistência à saúde de muitos países, não apenas como ação isolada, mas como política pública. Por isso, a pesquisa, encomendada pela Fundação Lien, uma organização não-governamental de Cingapura, analisou indicadores quantitativos - como taxas de expectativa de vida e de porcentagem do PIB gasta em saúde - e qualitativos - baseados na avaliação individual de cada país em quesitos como conscientização pública sobre serviços e tratamentos disponíveis a pessoas no fim de suas vidas e disponibilidade de remédios e de paliativos. De acordo com a Aliança Mundial de Cuidado Paliativo, mais de 100 milhões de pacientes e familiares precisam de acesso a tratamentos paliativos anualmente, mas apenas 8% os recebem.
No Brasil, por meio da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, a defesa da dignidade humana dos moribundos e a formulação e implementação de políticas públicas de cuidados paliativos tem sido uma bandeira constante nas mais diversas frentes de atuação. Um movimento popular que cresce a cada dia porque acredita que a morte é o coroamento da vida: não há uma vida digna sem uma morte digna.

domingo, 17 de maio de 2009

Pesquisa sobre o significado moral da eutanásia na visão do profissional, do moribundo e dos familiares

ESTUDO DE CASO SOBRE OS SIGNIFICADOS DA EUTANÁSIA PARA OS AGENTES ENVOLVIDOS NO PROCESSO DO DIREITO DE MORRER é o título de pesquisa desenvolvida pela Liga Acadêmica de Tanatologia da UFMA. Coordenada pela professor Ayala Gurgel, a pesquisa ainda conta com a participação da doutora Elba MOchel e da graduanda Rayna Bianca Serra.

Esse é o resumo:

(INTRODUÇÃO): Explanação fenomenológica a partir de um documentário sobre os significados morais da eutanásia para os agentes (profissionais, familiares e moribundos) envolvidos no processo do direito de morrer. (OBJETIVOS): Pretende-se explanar as questões morais subjetivas que estão envolvidas com a prática da eutanásia e do suicídio assistido nos países onde isso é legalizado a partir de um estudo de caso. (MÉTODOS): Aplicou-se o método fenomenológico para investigar a compreensão do significado das questões morais vivenciadas pelos envolvidos (familiares, profissionais de saúde e moribundos) no processo terapêutico conhecidos como eutanásia e suicídio assistido. Optou-se pela técnica de estudo de caso, selecionando uma história real documentada pela BBC. (RESULTADOS): Encontrou-se diversos conceitos para os termos eutanásia e suicídio assistido, alguns contraditórios e outros em desuso, exigindo sua delimitação conceitual. Optou-se pela abordagem que considera eutanásia e suicídio assistido como termos correlatos à ação praticada por profissional de saúde com o intuito de aliviar a dor e o sofrimento por meio da abreviação da vida. No primeiro caso, por sua atuação direta; no outro, por meio do seu auxílio indireto. Em termos de construção de significado moral, observou-se que o profissional age motivado pela noção de cumprimento do dever fundamentado na solidariedade e na autonomia do moribundo, noção essa reforçada pelos familiares. Já o moribundo, tem como regra moral a de viver sua vida só até o limite da suportabilidade, para si e para seus entes queridos. Percebe-se que tanto para o moribundo quanto para seus familiares a noção de limite do sofrimento é bastante cultuada, cuja fronteira, quando ultrapassada, não resolveria nenhum problema e aumentaria muito o sofrimento. O processo de luto antecipatório pode ser uma variável que torna essa noção mais aceitável. (CONCLUSÃO): Os significados morais dos agentes envolvidos com o direito de morrer são diferenciados segundo suas particularidades, mas, possuem alguns aspectos em comum: o respeito à autonomia do moribundo, o caráter profissional da ação, o conforto da dor e o alívio dos sintomas, não antecipar a morte enquanto viver não for insuportável. Nesse sentido, pode-se dizer que o principal valor moral do direito de morrer é a manutenção da dignidade humana do moribundo.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Médico toma decisão polêmica e aconselha paciente terminal a fumar

Especialista americano relata seu dilema em texto para o 'New York Times'. Clínico critica procedimento de não interferir diretamente na vida do doente.
Leia a matéria completa no site:
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1116476-5603,00.html

domingo, 26 de abril de 2009

Podemos Viver Até o Fim! (Erasmo Ruiz)





Um dos problemas com a morte é uma certa insistência das pessoas em nos "matarem" antes do tempo. Basta receber o rótulo de "paciente terminal" para que um lento e cruel ritual se inicie num misto de abandono e onipotência terapêutica. Os pacientes podem acabar sendo mantidos vivos o maior tempo possivel sem receberem, na maioria das vezes, qualquer contrapartida em termos de qualidade de vida.

Mas, e se fôssemos cuidados até o fim sob um novo paradigma, que fortalecesse a idéia de cuidado paliativo, onde somos mantidos vivos não em função de se lutar contra a morte e sim para, com algum nível satisfatório de conforto e bem estar, vivermos e termos tudo aquilo que a vida pode ainda oferecer de bom.

Ao rompermos o manto de hipocerisia que cerca a morte, podemos então perceber o quanto a vida é ainda mais bela e forte, mesmo no apagar de suas luzes. Basta que a gente possa ter a coragem de ver o tremeluzir da chama e perceber que ela ainda ilumina e nos ensina a viver mais e melhor. A incapacidade de se lidar com a morte ou medo de te-la ao nosso lado não pode nos afastar daqueles que a estão vivenciando. No entanto, boa parte das vezes é o que acabamos fazendo. Produzimos um tipo de solidão especial, a solidão "acompanhada" onde fingimos farsas ("o senhor ainda vai viver muitos anos") oi racionalizamos nossas fugas ("não adianta ir no quarto agora pois o paciente vai morrer de qualquer jeito mesmo"). Estamos presentes mas fustigamos quem vai morrer com nossa ausência frente às suas principais necessidades

As fotos mostradas a seguir me foram enviadas por Ayala Gurgel, membro dessa rede, Professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), filósofo com doutorado em Políticas Públicas e, como eu, um defensor ardoroso de que os cudiados paliativos sejam cada vez mais implementados em nossas instituições de saúde. Esses anos todos desenvolvi um certo ceticismo sobre tudo aquilo que vem da Internet, afinal, quem aqui não recebeu aquele email fantástico falando do rapaz que estava bebendo no bar com uma bela garota e acorda numa banheira de hotel sem um dos rins?

Assim, sai pela net pesquisando para ver se a história era real e, de fato aconteceu mesmo. Trata-se de fotos que mostram os últimos 5 dias de vida de Katie Kirkpatrick, uma jovem de 21 anos acometida de câncer no cérebro. Depois de muito lutar, ela começa a realizar seus rituais de fechamento da vida. Um deles, era se casar com o namorado.



Essa foto foi tirada um pouco antes do casamento de Katie realizado em 11 de janeiro de 2005. Ela passa horas tomando medicações para controlar a dor. O namorado (Nick) aguarda pelo término de mais uma das sessões de aplicação destes medicamentos.



Aqui Katie se prepara para a cerimônia. Seu vestido teve de ser ajustado várias vezes pois a doença a debilita mais e mais e a perda de peso é constante.



Um "acompanhante" inesperado na festa de casamento foi o tubo de oxigênio. O casal emocionado que os observa são os pais de Nick que acompanham o namoro dos dois desde a adolescência do casal.



Aqui a cerimônia de casamento, igual a tantas outras a mão ser pelo fato de que já sabemos de antemão que a noiva não só realiza o seu desejo no presente mas também o último..



E aqui está Katie em sua cadeira de rodas. Foge do estereótipo de alguém que sabe que vai morrer (afinal, não sabemos todos nós?). Está feliz ouvindo canções dos amigos na festa.



Mas seu estado orgânico é debilitado. Ela precisa dar uma paradinha para descansar e recarregar as poucas energias que ainda tem.



Kate morreu 5 dias depois de seu casamento. E ainda assim, ela pode cometer o "atrevimento" de tentar ser feliz até o final. E isso só foi possível porque a farsa foi superada e ela pode ser cuidada de uma maneira a permanecer conectada com a experiência do viver. Não passou seus últimos momentos "depositada" numa UTI, afastada de quem amava. Pôde cumprir algumas passagens da vida que achava importante e que ainda era capaz de vivenciar. Viver não é ter um ponto de luz piscando nos monitores. Viver é poder até o fim apreciar tudo o que a vida pode nos oferecer em termos de beleza e felicidade, mesmo às portas do final.