quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Feliz Aniversário, Erasmo, e que a morte te encontre feliz!
Erasmo Miessa Ruiz aparece aqui, nesse blogue, como o tanatologista que mistura a frieza da morte ao calor do lúdico, o temor de deixarmos essa vida com a necessidade de sermos amparados até o fim. É o cara que faz projetos incluindo seus antepassados e sua prole, que reúne a atividade da docência com a de ser pai, marido e amigo... amigo de muitos. Ele não tem um milhão, nem nas redes sociais, mas tem alguns bem autênticos, o suficiente para levar o seu féretro até à cova onde fará morada eterna.
Por falar em morada eterna, esse quase frade franciscano, hoje deu mais um passo em sua direção: um ano a menos de vida. Esperemos e desejamos que ainda tenha muito a caminhar, e quando soprar as velas do bolo de aniversário, não esqueça que todos nós que fazemos a THANATOS estamos muito felizes em sermos seus comensais.
Felicidades
domingo, 25 de setembro de 2011
Crianças Cometem Suicídio: Dor e Morte em Escola Pública (Erasmo Ruiz)
Aconteceu esta semana. Um garoto de 10 anos em São Paulo disparou um tiro contra a professora em sala de aula para logo em seguida cometer suicídio com um tiro na cabeça. A noticia, impactante pelas suas circunstâncias, parece no entanto perder fôlego rapidamente na sua capacidade em manter a superexposição. Diferente do que aconteceu na escola de Realengo no Rio de Janeiro, existe uma aparente necessidade de se virar as páginas rapidamente.
No Rio de Janeiro tudo tornou-se "compreensível" na medida em que um assassino estaria claramente comprometido em suas capacidades mentais. Um séquito de especialistas deram entrevistas, escreveram artigos e prometem livros que lançarão mais luzes sobre o ocorrido. De norte a sul deste país, tivemos semanas e semanas de grandes especulações vendidas a peso de ouro aos patrocinadores que expunham seus produtos. Do Jornal Nacional aos programas "trash" de final de tarde, todos puderam abocanhar a parte de seu butim, transformando em mercadoria o sangue e a morte dos adolescentes de Realengo.
Mas e agora? Algo muito grave aconteceu. Uma criança de 10 anos dispara contra uma professora e depois comete suicídio, numa escola pública tida como modelo onde nada, absolutamente nada parece sugerir os motivos da tragédia: o menino não era vítima de "bullying", tinha boas notas, comportamento exemplar, era sociável, família comum. Ao tentarem esmiuçar a tragédia, nada aparece que funcione para "explicar" e assim ser um ansiolítico dos nossos medos e angústias.
Não havendo explicações fáceis cabe às mentes mais férteis buscar suas explicações, que podem passar dos mitos de possessão demoníaca para esta ou aquela teoria "psi" mais ou menos exótica. O fato é que a notícia foi perdendo fôlego. Acredito que o motivo principal é que o acontecimento em si quebra determinadas crenças e a maiorias de nós, imersos nas preocupações do cotidiano, não estamos muito dispostos a ter que lidar com as consequências.
Crianças de 10 anos não morrem...quem dera fosse verdade! Crianças de 10 anos não cometem suicídio...será? Queremos ter a confiança que deixamos nossos filhos em escolas que os protejam do vendaval que corre lá fora...é mesmo assim? Pessoas que seguem as regras e são super-socializadas estão imunes aos sofrimentos psíquicos....quem sabe?
Virem a página rapidamente. Deixem que o Jornal Nacional informe de maneira superficial e burocrática o que nos sufoca. Não nos aprofundemos. Por favor, não imaginem que isso tudo poderia estar acontecendo com seus filhos...até porque a maioria de nós não guarda armas em casa. Pensar nisso tudo pode comprometer o impulso de abrir conta naquele Banco ultra eficiente ou nos imobiliza no desejo de comprar um carro novo.
Renato Russo já nos avisou:
Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu.
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender.
Ninguém sabe o que aconteceu.
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender.
Dorme agora,
é só o vento lá fora.
é só o vento lá fora.
Discutir crianças tentando matar professoras e depois cometendo suicídio não faz muito bem ao mercado. No fim das contas "nada é fácil de entender". Antes de "explicar" talvez fosse mais importante perceber que os tabus são tabus porque todos, absolutamente todos podem transgredi-los. Atitudes de desespero trágico talvez possam brotar dos muitos "silêncios" que habitam o coração de todos nós enquanto fazemos compras, pagamos contas e vamos meio entediados manejando as rotinas. Enquanto isso, "Pais e Filhos" matam e morrem sem perceberem que a vida pode renascer em meio as incertezas próprias do viver. Basta que possamos conversar um pouco mais.
Vivemos num mundo onde crianças tornaram-se capazes de matar e de se matarem em ambientes miticamente protegidos. Não serão programas televisivos indispostos em expor essa chaga que irão superar a dor e o sofrimento que uma tragédia como essa provoca. Alias, que essa dor possa se manter para superarmos os medos e compreender que temos também nossa parcela de responsabilidade pelos tiros no Realengo e agora pelo suicídio em São Paulo.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Luto Virtual (Paula K Portugal)
Para
expressar os sentimentos surgidos com a perda de um ente querido, os
usuários encontram nas redes sociais mais um espaço de desabafo.
Aqui vale fazer álbuns de foto em homenagem àqueles que já se
foram, e/ou trocar a imagem do perfil por símbolos do luto, como a
fita do luto ou a rosa negra, e pela foto do falecido.
Poemas
e trechos de musicas como “Gostava
tanto de Você” de Tim Maia, também acabam sendo utilizados por
possuírem letras que se encaixam perfeitamente neste momento de
perda.
Nas mensagens postadas
pelos usuários percebe-se um turbilhão de emoções como, alivio
pelo parente ou amigo não estar mais sofrendo; esperança em um
paraíso e na existência de Deus; o enaltecimento do falecido, pois
como dizem, para ficar bom, basta morrer!; além de questionamento
como porque isso está acontecendo? Porque Deus levou aquela pessoa?
Todas estas manifestações
despertam uma rede de apoio e comoção de outros usuários, podendo
caracterizar-se assim como um pedido de apoio. São também um grito
de liberdade para o turbilhão de sentimentos despertados com o luto,
uma vez que o ciberespaço é um lugar sem limites para a expressão
daquilo que se sente, muitas vezes guarnecido pelo anonimato.
sábado, 17 de setembro de 2011
Por um fio: O liame da vida e da morte na mitologia (Dario Junior)
“Essa foi por pouco”, “por um triz”, “por um fio”, todas são expressões que encontramos corriqueiramente em nossa vida cotidiana, mas muitos falam e não percebem sobre o que estão falando. Quando falo que estou por um fio posso estar me referindo à fragilidade de um fio, mas porque falo exatamente a figura do fio? O que a faz ser tão recorrente?
Ao ser indagado sobre tais questões penso na fatalidade, a predestinação grega que remonta a figura da moira. Esta personagem mitológica que sofreu algumas alterações ao longo do tempo. Inicialmente era tida como uma entidade, o destino individual já traçado para cada um, sendo que cada vivente tinha a sua própria moira, daí provém à expressão: “cada um tem sua própria sorte”.Impessoal e inflexível como o próprio processo de vida e morte a moîra representa uma lei que nem os próprios deuses podem transgredir, sem colocar em perigo a ordem do universo é ela que impede o deus de ajudar seu herói no momento em que ele corre perigo.
Em outros são apresentadas como três entidades distintas: Cloto (Nona), Láquesis (Décima) e Átropos (Morta), sendo cada uma responsável por uma função na ordem do mundo. Sendo estas as reais responsáveis por nossa vida sempre estar por um fio.
A vida devemos a Cloto que é a fiandeira, ela é encarregada de fiar e puxar o fio de nossa vida. Láquesis é a sorteadora, sua função é enrolar o fio da vida e sortear aquele que deve ser entregue a Átropos, a inflexível, a que não volta atrás, aquela que tem o dever de cortar o fio da vida.
No período mitológico não se tinha as concepções que temos sobre como se dá os processos de adoecimento, mas tinham a certeza que temos hoje, que todo ser nascente também deverá um dia morrer, ao passo que não cabe a nós, mortais, saber o momento em que Láquesis pegará o nosso fio.
A incerteza enquanto a este momento é fundamental, embora, por vezes, a medicina tenha conseguido saber mais sobre os processos de adoecimento, tente esconder de Láquesis o fio correspondente a sua vida a deusa sempre o encontra e oferece-o a sua irmã. Mas, a incerteza de quanto tempo terá: de Cloto a
Átropos é que faz com que a vida tenha que ser vivida, como não sabe quando o momento chegará devemos preencher diversas tapeçarias com este fio, tomarmos cuidado com ele, mas que este cuidado não se reflita em medo de viver a própria vida. Láquesis não deve ser tida como a que leva a morte, mas como aquela que lhe lembra de que você é um ser finito e como tal deve viver uma boa vida, para quando sentir que seu fio foi entregue a Átropos, acolher a Thanátos em uma boa morte.
domingo, 11 de setembro de 2011
O 11 de setembro e os requintes perversos da morte como espetáculo (ERASMO RUIZ)
Passaram-se dez anos desde que naquela manhã de 11 de setembro de 2001 fomos surpreendidos pelas impactantes imagens do que foi considerado o maior atentado terrorista da história. Mais do que o desabamento do World Trade Center (WTC), reverberaram em nossas mentes as imagem dos mortos que rapidamente foram exibidos em seus aspectos biográficos.
E foi exatametne isso que nos aproximou de uma postura mais humana e dramática do 11 de setembro. Pela posição de importância e controle que a mídia estadunidense possui, até hoje somos bombardeados pelas pelas triviais histórias de vida daqueles que estavam ali trabalhando e passeando, dos heroicos bombeiros esmagados, dos desesperados que se atiraram pelas janelas, das últimas mensagems de amor mandadas pelos celulares.
O tempo vai passando e repentinamente parece que as vítimas do WTC começaram então a seguir o destino da maoria dos mortos: o esquecimento, embora ocorra a construção de memoriais e nomes sejam inscritos em bronze e mármore. Mais dias vão se passando e muitas pessoas se perguntam: quem eram aqueles?
Hoje li alguns textos críticos sobre a forma como a mídia superexplora o evento. Tudo é tendencioso na mídia e de certa maneira redutível aos objetivos de se ganhar dinheiro. Ainda assim, há que se pensar que estes gestos de marquetim e propaganda política não se esgotam neles mesmos. Reverberam sentimentos, tentam sedmentar emoções, suprem necessidades de se manter viva uma lembrança, mesmo que parte dela já adentre ao terreno do mito e da ilusão.
Hiroshima após a explosão
O que me choca entretanto é uma certa postura, digamos, "estatística", eu diria até "desportiva" em se tratar desse tema. Muitas pessoas desgostosas dizem que os americanos mataram mais em Hiroshima e Nagazaqui, que patrocinaram golpes de estado por todo mundo ou que o atentado foi um resultado direto da forma como o Império conduz sua política externa, ou que Osama foi um filho dileto da CIA.
Tudo parece ficar meio que redundante, um placar onde acompanhamos números que comparam quantidade de mortos como se estivéssemos numa peleja de basquete. No plano da minha racionalidade eu posso até entender isso tudo e encontrar nexos empíricos nesses raciocínios. O problema é quando eles servem para promover um certo escudo de insensibilidade a dor e ao sofrimento e, neste sentido, podem se transformar em algo tão bárbaro quanto aquilo que querem criticar.
Crânios de vítimas de massacre em Ruanda
Em Ruanda morreram 700.000 pessoas em massacres étnicos. A OTAN com seus bombardeios pode ser responsabilizada pela morte de centenas de líbios. A ingerência dos Estados Unidos em golpes de Estado pelo mundo todo pode ter determinado a morte de outros tantos milhares. Mas e o que aconteceu nas torres gêmeas? Pode ser um evento comparável com os massacres? Em que sentido dizer que a morte de 3.000 pessoas é um evento menor que a morte de 30.000 pessoas? É uma análise que se reduz ao critério quantitativo?
Do meu ponto de vista não podemos nunca reduzir a dor e o sofrimento a critérios quantitativos nem usar raciocínios tortuosos que ofereçam combustível à barbárie. O que aconteceu nas torres gêmeas é tão ultrajante quanto o que ocorreu em Hiroshima. Um evento não pode ser usado para minimizar o outro.
Quando um avião norteaamericano bombardeia por engano uma festa de casamento no Afeganistão e mata 60 civis inocentes não se pode buscar nos mortos do WTC uma justificativa que minimize essa barbárie, que torne lícito o fato que crianças tenham sido trucidadas pela mais "civilizada" tecnologia. Usar deste raciocínio é desrespeitar a memória dos mortos do WTC.
Sinalizar que em Hiroshima e Nagazaqui morreram muito mais pessoas do que no atentado às torres gêmeas é um argumento mostruoso e que desonra a memória dos mortos japoneses e toda a heróica tentativa dos atuais moradores destas cidades em transformar tanta destruição e barbárie em motivos para se construir as bases de uma nova e efetiva cultura de paz.
Lembrar que existem outras tragédias e que elas precisam ser tematizadas SIM. Usar dessa lembrança para minimizar o que aconteceu no 11 de setembro JAMAIS!
sábado, 10 de setembro de 2011
Os mortos invisíveis do 11 de Setembro (Dayara Cutrim)
11 de
setembro de 2001, a maior potência mundial da atualidade, os Estados Unidos, é
atingida pelo terror. Quatro aviões são sequestrados, dois deles
arremessados contra cada uma das Torres Gêmeas do World Trade
Center, em Nova York, um cai sobre o Pentágono, na cidade sede do
governo americano, e o outro cai em um campo na Pensilvânia. Esses
foram os acontecimentos que marcaram a maior ação terrorista já
vista em todo o mundo, um episódio totalmente imprevisível que
destruiu a ideia da invulnerabilidade americana.
Estima-se
em aproximadamente três mil o número de mortos em consequência dos
atentados. Entre eles, estão os "jumpers", ou saltadores, pessoas que
optaram por pular das torres em vez de esperar o que estava por vir.
Por alguns, são considerados suicidas; por outros, especialmente pelos órgãos oficiais, vítimas de
assassinato. Independentemente de denominações, todos hão de
concordar que a decisão que os jumpers tomaram foi decorrente dos
ataques e da situação em que se encontravam.
O fato de
estarem em um prédio em chamas, com muito calor, dificuldade para
respirar, totalmente sem saída e esperança de serem tirados dali,
era um sinal de que, a qualquer momento, o pior iria acontecer.
Então, por que não tomarem posse do direito de escolher, dentro as
opções que tinham, como seriam os últimos segundos das suas vidas?
Alguns preferiram esperar o destino agir. Já os jumpers – ou
conscientes do futuro, ou tomados pelo desespero que sentiam –
resolveram agir por ele.
A maioria
dos americanos prefere fechar os olhos e ignorar as imagens das
dezenas ou centenas de pessoas (cerca de 50 a 200) se jogando das torres naquela terça-feira,
mas encarar a realidade do cenário de horror e desespero daquele dia
é indispensável. Não só porque precisamos falar da morte para compreendermos e aprendermos a conviver com o sofrimento de uma tragédia como aquela, mas porque, se não o fizermos, aquelas imagens proibidas ficarão, para sempre, rodando os sites mais sensacionalistas, exibindo a morte escancarada, tão pornográfica quanto a morte escondida.
Não queremos dizer que são cenas fáceis de se ver (a maioria já foi deletada e desapareceu das reportagens e documentários sobre o 11 de setembro), mas são cenas contra as quais, pela memória dos mortos que escolheram ser taxados como suicidas, não podemos voltar a face para o outro lado e pensar que todos morreram da mesma forma. Não podemos varrer esses suicidas para baixo do tapete como se não tivessem existido, seria um desrespeito, matá-los novamente.
O documentário "The Falling Man", de Henry Singer, é um dos poucos que recupera a memória desses mortos em meio a uma sociedade que convive tão mal com a ideia do suicídio e o luto por pessoas que cometeram suicídio. Não sabemos ao certo, nem temos como saber, se aquelas pessoas agiram por impulso, medo, desistência, falta ou excesso de fé, mas elas têm algo a dizer sobre nós, enquanto se lançavam para a morte: como pensamos na nossa própria terminalidade? faríamos a mesma coisa? esperemos sempre que não: que não tenhamos que decidir morrer como decide o escorpião e, muito menos, que tenhamos outro 11 de setembro para relembrar.
Dayara Cutrim é aluna de graduação em Enfermagem da UFMA
Para saber mais sobre os jumpers:
http://ultimosegundo.ig.com.br/11desetembro/mergulho+para+a+morte+e+tabu+do+11+de+setembro/n1597196086325.html
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
A Árvore – Cada qual com sua forma de superar a dor (Adriana Mendonça)
Título original: (L'Arbre)
Lançamento: 2010 (Austrália, França)
Direção: Julie Bertuccelli
Atores Principais: Charlotte Gainsbourg, Morgana Davies, Marton Csokas, Christian Byers.
Duração: 100 min
Gênero: Drama
O drama começa com a morte de um Pai (Aden Young), arrimo e chefe de uma família com quatro filhos. A filha menor, Simone (Morgana Davies), presencia tudo. Inicialmente, o sofrimento da família enlutada é representado de uma forma bem francesa, com o filme lento, arrastado, mas também muito bonito e dramático. Simone é a única menina entre os filhos e que com seus oito anos de idade acredita fielmente que o espírito de seu pai ficou na árvore ao lado da sua casa - e junto à qual seu pai morreu de um infarto fulminante enquanto dirigia, voltando de uma longa jornada de trabalho.
Naturalmente, cada um sofre a perda ao seu modo. A esposa fica depressiva, deixando a casa e os filhos de lado, perdida entre o mundo onírico e a realidade de conviver sem o marido, passando os dias inteiros em pesado sofrer. O filho mais velho, Tim, toma às rédeas da casa, tentando assim manter um pouco de ordem, o que se torna quase impossível. Enquanto isso a pequena Simone prefere subir à árvore e ficar horas no local, sentindo a presença do pai. Já o caçula não fala, emudecido em sua própria dor. A soma desses formas gera um ambiente deprimente, mas que se apóia mutuamente, confrontando com os demais problemas que aquela árvore vem trazendo para a estrutura da casa, uma vez que as raízes estavam destruindo os encanamentos, além de os galhos mortos caírem sobre o telhado.

A cada conversa imaginária que Simone tem com seu pai "encarnado espiritualmente" na árvore, ela se torna cada vez mais dependente da Figueira. A mãe, aos poucos tenta refazer sua vida, começa a trabalhar numa loja e se envolve num relacionamento com o dono. Simone não aceita o namoro e ao mesmo tempo tudo se complica quando os vizinhos procuram uma forma de podar a árvore. É quando Simone se recusa a sair da Figueira até que todos resolvam que ela não deve ser retirada do seu local. A mãe cede às vontades da filha e passa a proteger o “amor” que ela sente pela planta, se envolvendo ela mesma também com essa forma de enfrentamento do luto (acreditar que o marido falecido fala com ela por meio da árvore). Essa convivência e forma de enfrentar o luto é não-autorizada e desperta as mais diversas críticas, do amante à vizinhança.
Mas, é a própria natureza que dá sinal de que algo deve mudar, quando chega um ciclone que coloca em cheque o apego que a família desenvolvera pela árvore e o lugar.
Percebe-se então a forma que essa criança tenta conviver com uma perda tão significativa pra ela, quanto para a família que quase se desestrutura com a morte do pai. O filme tenta retratar a vida como ela realmente é, ou como pode ser quando a perda traz uma necessidade de maturidade para prosseguir com a uma vida por mais dolorida que ela esteja.
Adriana Mendonça (aluna da Graduação em Enfermagem da UFMA)
Você pode assistir o trailer do filme aqui
http://www.youtube.com/watch?
Aos Estudantes da Área de Saúde...Principalmente os Futuros Médicos (Erasmo Ruiz)
Vocês já devem saber que nem tudo irá cair nas muitas provas que vocês
terão que fazer. O problema é que o volume de conhecimento é tanto e
as exigências de aprendizagem e avaliação de tal monta que podemos
incorrer no erro de achar que o importante é apenas aquilo que é
cobrado e estampado nas grades curriculares.
Disponibilizo esse livro para vocês. Não irá cair nas provas. Mas no
dia em que você já for profissional e se deparar com situações onde
tenha que manejar más notícias, talvez ele seja muito útil. Hoje na
maioria das instituições de saúde dar más notícias aos pacientes e
seus cuidadores virou um jogo de empurra. A maioria não quer falar
sobre dor e morte, poucos sentem-se áptos para rmanejar sofrimentos
que extrapolam as dimensões dos órgãos e processos bioquímicos.
O médico, pelo fato de concentrar poderes de decisão nos processos de
trabalho, pode muitas vezes escapar dessas situações quando, em tese,
a depender de cada situação, ele seria o profissional mais adequado
para dar a má notícia. Ao se eximir de tal tarefa, pode implementar
mais sofrimento para pacientes, familiares e à própria equipe
Todo profissional de saúde deve ser capacitado para dar más notícias.
O médico pode ser um elemento facilitador desse processo ou, então,
pode incrementar situações de desumanização, ansiedade e estresse. Dar
más notícias, de um lado, pode deixar você mais vulnerável mas, de
outro, ajuda a manter viva sua sensibilidade, provoca adesão mais
orgânica a tratamentos e constrói elos afetivos que vão muito além do
conhecimento técnico e configuram situações que exaltam a condição
humana de existir e amar.
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