Mostrando postagens com marcador cemitério. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cemitério. Mostrar todas as postagens
domingo, 29 de agosto de 2010
Cemitérios Cheios de Vida: Pelos Caminhos de Novo Hamburgo (Erasmo Ruiz)
Quando, se pensa em cemitérios bonitos logo vem a mente o Père Lachaise, em Paris, que, além da beleza de sua arte tumular, traz também uma lista enorme de "hóspedes" ilustres.
Mas, os cemitérios podem chamar a atenção por outras formas de beleza, ou, infelizmente, por algo que deixou de ser a regra e se transformou em desonrosa exceção.
Recentemente, Luciana Abreu, uma grande amiga, viajou com sua família para as serras gaúchas. Seguiu a trilha usual dos turistas. Entre a beleza da arquitetura europeia e deliciosos chocolates e bons vinhos, Luciana notou algo que também a encantou.
Seguindo viagem entre Gramado e Novo Hamburgo (por volta de 70 km) ela percebeu alguns cemitérios a beira da estrada, com cercas baixas, próximos a pequenas igrejas e escolas.
Meu olhar arguto para a morte também vê cemitérios à beira das estradas próximos a cidades pequenas, mas o padrão que encontro pode se resumir a uma única palavra: abandono! Túmulos mal mantidos, mato crescendo e ferrugem tomando conta de cercas e portões.
O que chama a atenção nas fotos tiradas por Luciana é justamente o contrário. Encontramos túmulos limpos, brilhando, e mesmo os antigos mostram sinais de que as pessoas ainda se importam com eles. E, o mais importante, muita vida simbolizada pelas flores e seu colorido.
Seriam as marcas da cultura europeia trazidas pela imigração, marcas estas que já teriam desaparecido em parte nos países de origem? Nota-se aqui um zelo pela memória, uma aura de respeito a identidade dos mortos como estratégia que fala muito mais à identidade dos vivos.
Claro, são especulações que precisam ser suportadas por estudos mais aprofundados. Mas é digno de nota a beleza das fotos e a sensação de que os mortos estão sendo "bem cuidados". Sinalização talvez de que por aqueles lados os vivos tenham uma relação melhor com a morte.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Lei no cemitério – exploração da morte (Elba Mochel)
Em São Luís está em tramitação projeto lei que estabelece, entre outras, as seguintes regras: 1) a cobrança de taxa anual de manutenção dos jazigos limitada a 10% do salário mínimo, aí incluído o pagamento dos serviços de limpeza e conservação da área livre do cemitério e preservação dos jazigos contra a depredação ou furtos por deficiência de vigilância, cujo ônus caberá aos gestores. 3) A desapropriação dos restos mortais de cadáveres só será possível após dez anos do sepultamento e com prévia comunicação aos proprietários do jazigo. A relação dos cadáveres em vias de desapropriação deverá ser publicada em edital, com prazo mínimo de 30 dias para que seja regularizada a pendência financeira. Academias, conselhos e associações de classe poderão, dentro do prazo estabelecido, apresentar embargo, justificando a necessidade de proteção ao cadáver sepulto, com base em fatos e documentos históricos. Uma comissão especial julgará os embargos. 5) O projeto determina ainda que a vigência dos contratos de terceirização não poderá exceder o prazo de cinco anos, após o qual haverá nova licitação.
sábado, 24 de abril de 2010
Concurso sobre cemitérios (Heitor Amílcar)
Aberto o concurso de textos promovido pela Biblioteca Pública Municipal de Piracicaba/SP, tendo a arte cemiterial como temática. Trata-se de iniciativa bem interessante, também por dar eco a uma temática que ainda sofre preconceitos!
A Jacintha Editores, apoiadores de eventos culturais na cidade e região, publicou a matéria “Cemitério: cultura, história e arte”, justamente o nome do concurso.
O endereço do blog é http://jacinthaeditores.blogspot.com.
A Jacintha Editores, apoiadores de eventos culturais na cidade e região, publicou a matéria “Cemitério: cultura, história e arte”, justamente o nome do concurso.
O endereço do blog é http://jacinthaeditores.blogspot.com.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Queixa de Defunto (Lima Barreto)
Lima Barreto publicou em 20 de março de 1920, na Careta, uma crônica intitulada Queixa de Defunto. O tema é um tipo específico de testamento: aquela que não deixa bens, mas a propria aprendizagem que a morte dessa pessoa pode revelar. Preconceitos e visões da época à parte, vale a pena ler. Ei-la na íntegra:
Antônio da Conceição, natural desta cidade, residente que foi em vida, na Boca do Mato, no Méier, onde acaba de morrer, por meios que não posso tomar público, mandou-me a carta abaixo que é endereçada ao prefeito. Ei-la:"Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Doutor Prefeito do Distrito Federal. Sou um pobre homem que em vida nunca deu trabalho às autoridades públicas nem a elas fez reclamação alguma. Nunca exerci ou pretendi exercer isso que sé chama os direitos sagrados de cidadão. Nasci, vivi e morri modestamente, julgando sempre que o meu único dever era ser lustrador de móveis e admitir que os outros os tivessem para eu lustrar e eu não.
"Não fui republicano, não fui florianista, não fui custodista, não fui hermista, não me meti em greves, nem coisa alguma de reivindicações e revoltas, mas morri na santa paz do Senhor quase sem pecados e sem agonia.
"Toda a minha vida de privações e necessidades era guiada pela esperança de gozar depois de minha morte no sossego, uma calma de vida que não sou capaz de descrever, mas que pressenti pelo pensamento, graças à doutrinação das seções católicas dos jornais.
"Nunca fui ao espiritismo, nunca fui aos 'bíblias', nem a feiticeiros, e apesar de ter tido um filho que penou dez anos nas mãos dos médicos, nunca procurei macumbeiros nem médiuns.
"Vivi uma vida santa e obedecendo às prédicas do Padre André do Santuário do Sagrado Coração de Maria, em Todos os Santos, conquanto as não entendesse bem por serem pronunciadas com toda a eloqüência em galego ou vasconço.
"Segui-as, porém, com todo o rigor e humildade, e esperava gozar da mais dúlcida paz depois de minha morte. Morri afinal um dia destes. Não descrevo as cerimônias porque são muito conhecidas e os meus parentes e amigos deixaram-me sinceramente porque eu não deixava dinheiro algum. É bom meu caro Senhor Doutor Prefeito, viver na pobreza, mas muito melhor é morrer nela. Não se levam para a cova maldições dos parentes e amigos deserdados; só carregamos lamentações e bênçãos daqueles a quem não pagamos mais a casa.
"Foi o que aconteceu comigo e estava certo de ir direitinho para o Céu, quando, por culpa do Senhor e da Repartição que o Senhor dirige, tive que ir para o inferno penar alguns anos ainda.
"Embora a pena seja leve, eu me amolei, por não ter contribuído para ela de forma alguma. A culpa é da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro que não cumpre os seus deveres, calçando convenientemente as ruas. Vamos ver por quê. Tendo sido enterrado no cemitério de Inhaúma e vindo o meu enterro do Méier, o coche e o acompanhamento tiveram que atravessar em toda a extensão a rua José Bonifácio, em Todos os Santos.
"Esta rua foi calçada há perto de cinqüenta anos a macadame e nunca mais foi o seu calçamento substituído. Há caldeirões de todas as profundidades e largura, por ela afora. Dessa forma, um pobre defunto que vai dentro do caixão em cima de um coche que por ela rola, sofre o diabo. De uma feita um até, após um trambolhão do carro mortuário, saltou do esquife, vivinho da silva, tendo ressuscitado com o susto.
"Comigo não aconteceu isso, mas o balanço violento do coche, machucou-me muito e cheguei diante de São Pedro cheio de arranhaduras pelo corpo. O bom do velho santo interpelou-me logo:
"- Que diabo é isto? Você está todo machucado! Tinham-me dito que você era bem comportado - como é então que você arranjou isso? Brigou depois de morto?
"Expliquei-lhe, mas não me quis atender e mandou que me fosse purificar um pouco no inferno.
"Está aí como, meu caro Senhor Doutor Prefeito, ainda estou penando por sua culpa, embora tenha tido vida a mais santa possível. Sou, etc., etc."
Posso garantir a fidelidade da cópia e aguardar com paciência as providências da municipalidade.
domingo, 18 de abril de 2010
Lei dos Cemitérios - Exploração da Morte ou Regulamentação Social? (Elba Mochel)
Em São Luís acaba de ser aprovada uma lei que trata de preservar, se não a aparência dos mortos, pelo menos, o lugar que lhe engoliu os restos. É a chamada Lei no cemitério. O projeto estabelece, entre outras, as seguintes regras: 1) a cobrança de taxa anual de manutenção dos jazigos limitada a 10% do salário mínimo, aí incluído o pagamento dos serviços de limpeza e conservação da área livre do cemitério e preservação dos jazigos contra a depredação ou furtos por deficiência de vigilância, cujo ônus caberá aos gestores. 3) A desapropriação dos restos mortais de cadáveres só será possível após dez anos do sepultamento e com prévia comunicação aos proprietários do jazigo. A relação dos cadáveres em vias de desapropriação deverá ser publicada em edital, com prazo mínimo de 30 dias para que seja regularizada a pendência financeira. Academias, conselhos e associações de classe poderão, dentro do prazo estabelecido, apresentar embargo, justificando a necessidade de proteção ao cadáver sepulto, com base em fatos e documentos históricos. Uma comissão especial julgará os embargos. 4) Os restos mortais do cadáver desapropriado deverão ser catalogados e acondicionados em material resistente, onde constem nome e datas do sepultamento e da desapropriação. Já a guarda dos restos mortais deverá ser feita em local adequado, não exposto e de acesso aos interessados. 5) O projeto determina ainda que a vigência dos contratos de terceirização não poderá exceder o prazo de cinco anos, após o qual haverá nova licitação. Perguntamos: essa lei não é mais uma forma de controle social sobre os corpos e uma forma de exploração comercial dos enlutados?
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Quem quer ser enterrado ao lado de Marilyn? (Erasmo Ruiz)

A mania de querer ser enterrado ao lado de gente "famosa" vem desde muito tempo. No Egito antigo os súditos nobres tentavam fazer seus túmulos perto dos faraós. Já no Cristianismo foi sendo criado o hábito de se enterrar as pessoas nas igrejas e/ou perto das relíquias dos santos para buscar sua proteção e intervenção. Agora,em tempos que a mercatilização vai ditando as regras, os ricos além de poderem viajar para o espaço (e assim poderem ir para o Céu), podem desfrutar da "alegria" e "prazer" de passarem toda a eternidade ao lado de Marilyn Monroe. Um túmulo vizinho ao da atriz está sendo leiloado ha uma semana. Quando todos pensavam que o leilão havia acabado, o vencedor resolveu aproveitar o dnheiro em vida e retirou o seu lance, o que, digamos, parece ser uma decisão muito sábia. Agora, se você tem 5 milhões de dólares sobrando (pouco mais de 9 milhões de reais), corra! Esta é a sua chance de ficar ao "lado" de Marilyn Monroe pois o leilão acaba de reabrir no Ebay. A Revista Caras bem que poderia fazer uma bela reportagem falando sobre ricos e famosos nos cemitérios.
Mais detalhes, veja notícia abaixo:
LOS ANGELES, EUA, 25 Ago 2009 (AFP) - A oportunidade de ser enterrado em um túmulo próximo ao da atriz Marilyn Monroe está novamente aberta, depois que o vencedor do leilão no eBay retirou a oferta de 4,6 milhões de dólares por "problemas de pagamento".
O jornal Los Angeles Times informa que um japonês não identificado foi o vencedor do leilão do túmulo atualmente ocupado por um homem chamado Richard Poncher, que morreu há 23 anos, com 81, e que fica próximo ao local da morada final da famosa atriz.
A viúva de Poncher, Elsie, decidiu exumá-lo e vender a valiosa sepultura para pagar os custos de sua casa em Beverly Hills, avaliada em 1,6 milhão de dólares.
O túmulo fica acima do espaço coupado por Marilyn Monroe no cemitério Westwood Village Memorial Park, em Los Angeles, onde também foram sepultados Natalie Wood, Truman Capote e Farrah Fawcett.
A oferta vencedora do leilão chegou a 4.602.100 dólares.
No entanto, horas mais tarde o vencedor escreveu ao representante de Poncher e retirou a oferta.
Outros 11 participantes ofereceram pelo menos US$ 4,5 milhões pelo túmulo, segundo o Los Angeles Times.
"Esta é uma oportunidade única na vida, de poder passar a eternidade logo ao lado de Marilyn Monroe", dizia o anúncio do leilão.
A viúva Elsie Poncher contou ao jornal Los Angeles Times há duas semanas que seu marido, um empresário supostamente ligado à máfia de Chicago, havia comprado a sepultura em 1954 do ex-marido de Marilyn Monroe, o jogador de baseball Joe DiMaggio.
Elsie também disse ao jornal que, antes de morrer, o marido brincou com ela: "Se eu morrer e você não me enterrar em frente à Marilyn, te perseguirei por toda a eternidade".
Hugh Hefner, fundador da revista Playboy, comprou o túmulo adjacente ao da atriz em 1992 por 75.000 dólares.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
"Flashs" da Arte Tumular no Cemitério da Recoleta (Cristina Vieira)
olá amigos, o blog thanatos conta com um novo autor.
Sou a Cristina, sou psicóloga, especialista em Saúde Pública e tive o prazer de conhecer e trabalhar com o professor Erasmo na especialização, estudo o tema do suicídio e atualmente tenho também interesse na arte que envolve a morte. recentemente pude tirar algumas fotos do cemitério da Recoleta, em Buenos Aires.
O cemitério da Recoleta é o mais antigo cemitério público de Buenos Aires, data de 1881. nele estão sepultados heróis da Independência, presidentes da República, militares, cientistas, artistas, intelectuais. a area em volta é considerada area nobre e os imoveis carissímos. ele resistiu ao processo de afastamento dos cemitérios da cidade e ainda fica bem ao lado da igreja. Possui mais de 3oo obras de arte em esculturas belissímas. os caixões chamam atenção pois não estão enterrados, mas guardados dentro de mausoléus onde podem ser vistos por vitrais.
Postarei algumas imagens e uma análise pessoal delas. espero poder contar com comentários e impressões. acima um mausoléu negro. estas casas dos mortos tem um estilo próximo do gótico, sombrio. tudo neles traz um sentimento de solenidade e luto. vejamos a imagem mais de perto.
me lembra uma passagem bíblica que diz "... um anjo do senhor te visitará..."
Essa escultura encerra esperanças... esperanças que muitos tem quando pensam no após a morte. mas o artista quis retratar outra coisa. o anjo abre a porta com com uma mão e com outra ele traz flores, a imagem no seu rosto é de tristeza. os anjos também lamentam a morte dessa pessoa. ele vem vistá-la com tristeza e o tumulo é negro simbolizando o luto.

detalhes da perfeição do artista, a mão na maçaneta do mausoléu.
é isso amigos. estarei nos próximos dias postando mais algumas imagens e comentários.
até breve!
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Que Tal Visitar um Cemitério? (Erasmo Ruiz)
Vamos falar um pouco sobre cemitério. Quando esta palavra aparece pode vir uma associação de imagens em nossas mentes, todas elas provavelmente muito tristes. É que o cemitério sempre foi apresentado a nós em momentos de dor muito intensa, no terrível instante em que definitivamente temos que nos despedir de alguém que amamos. Desnecessário dizer que tudo isso faz a gente pensar em nós mesmos, na nossa morte o que, para alguns, coloca em xeque valores muito arraigados, crenças que antes não tínhamos dúvidas. Por outro lado, pode fortalecer nossas certezas. Estar num cemitério, portanto, nos deixa um pouco expostos, nos faz lembrar de momentos difíceis já enfrentados e de outros que ainda virão, afinal, um dos preços de se estar vivo é a crescente elaboração das perdas, é refletir cotidianamente sobre todos que já partiram. Mas, partem para onde? Estamos em busca mais ou menos ansiosa por esta e outras respostas.
Bom... e se eu dissesse que o cemitério pode ser um lugar ótimo para fazermos perguntas e encontrarmos algumas respostas sobre a morte? Quer dizer que os mortos vão nos dar algumas respostas? Por incrível que possa parecer, isso é verdade. Mas não se preocupem. Em nossa visita a um cemitério não seremos assombrados por seus ilustres moradores. Se por um momento esquecermos nossos preconceitos, nossas experiências passadas e imaginarmos o cemitério como um lugar para ver e encontrar coisas novas, parte de nossas dúvidas poderão ser satisfeitas. Isso acontece quando buscamos beleza em gestos aparentemente simples, em coisas que o cotidiano faz com que deixemos para trás, em situações que rotulamos as coisas porque aprendemos que todo mundo faz do mesmo jeito. É como aquela história da moça que não dava a mínima para as margaridas que existiam em seu jardim até o dia em que ganhou um ramalhete delas do rapaz por quem estava apaixonada. Pronto, as margaridas deixaram de ser flores sem graça e passaram a ser cuidadas diuturnamente. Na verdade elas sempre estiveram ali, sempre foram margaridas só que agora significavam amor e felicidade.
O homem é assim, um animal querendo deixar sua marca neste mundo. Quando os arqueólogos estavam escavando Pompéia, aquela cidade do Império Romano destruída pela Erupção do Vesúvio à 1900 anos atrás, encontraram grafites em banheiros públicos. Repentinamente as mensagens deixadas ha tantos séculos recuperaram vida e começaram a nos falar de amores mal correspondidos, de dívidas não pagas, de agradecimentos a Afrodite pelo amor tanto tempo esperado. Olhemos os túmulos de um cemitério não como sinal de tristeza mas fundamentalmente como mensagens daqueles que já se foram e que ainda estão aqui nos comunicando o sonho de décadas atrás, nos falando sobre sentimentos e perdas, nos falando o que pensavam sobre a vida e a morte. Nunca devemos nos esquecer que parte dos mistérios desta vida, de seus significados e sentidos mais profundos, passa necessariamente pela forma como cada um de nós irá construir seu sentido de morte o que, no final das contas, mostra que a vida é um bem que vale a pena ser usufruído a cada precioso segundo.
Otávio Paz, escritor mexicano ganhador do prêmio Nobel, já falecido, dizia que a morte e a vida fazem parte de uma mesma totalidade, um fenômeno ainda incompreensível para a maioria das pessoas, principalmente porque o mercado de consumo transformou a nossa morte num bem comercializável. Desta maneira, o acontecer da morte foi secionado não só da vida de quem morreu, mas também da vida de quem ficou. Na verdade, vida e morte são uma coisa só a nos propor perguntas feito uma Esfinge que devora os melhores anos de nossas vidas por nossa obsessiva preocupação em decifrar-lhe os enigmas.
Nesta jornada concluímos, cedo ou tarde, que as respostas serão sempre inconclusivas. Na verdade encontrar o sentido da vida é uma tarefa ao mesmo tempo individual e coletiva. Individual porque o meu sentido só terá sentido por conta de toda minha experiência, minhas flores, meus medos, minhas dores, meus amores, serão diferentes de tudo que você presenciou porque as flores, tal como ganham sentido em meu cérebro, serão sempre minhas flores. Mas, parte da minha existência se incorpora a vida do vendedor de sapatos, do cobrador de ônibus, parte da minha vida se incorpora a de vocês quando conversamos e, neste exato momento, quando este texto está sendo lido. As respostas, portanto, só existem na medida que as procure sempre em mim e no outro. E, talvez, as respostas para o sentido da vida só podem ser encontradas na razão de morrer. E o morrer só terá algum sentido se vivermos uma vida onde possamos de alguma forma deixar nossa marca neste mundo.
E o cemitério é repleto de marcas. Basta querer vê-las, interpretá-las, senti-las. Caminhando pelas alamedas de um cemitério, poderemos olhando a nossa volta, apreciar as belezas de um museu a céu aberto, onde os pássaros podem livremente pousar nas estátuas enquanto usufruímos da beleza e pensamos na nossa própria vida ornada com aspectos da sua finitude. Ecos imaginários podem chegar aos nossos ouvidos: Amores não realizados, projetos de carreira inconclusos, vidas terminadas no auge da fama...mas outras vozes podem se fazer ouvir. A alegria de viver, a existência repleta de sonhos realizados, projetos construídos depois de árduo trabalho. Essa ciranda de virtuais espectros na verdade podem mostrar os caminhos que temos de fazer para viver mais plenamente. Somos senhores do agora e, portanto, responsáveis pelo que podemos fazer de nossas vidas. Neste sentido, estar num cemitério, pode nos encher de vida! A morte, a semelhança da espaçonave Enterprise de "Jornada Nas Estrelas", nos leva onde jamais estivemos. Por isso nosso medo vem de braços e abraços com a mais absoluta curiosidade. Assim, como diria o Dr Spock:"Vida Longa e Prosperidade"!
Assinar:
Postagens (Atom)