quinta-feira, 21 de abril de 2011

Autonomia de Moribundo Vira Manchete (Erasmo Ruiz)

                                                             Donna Shaw, 17 anos



Um velho adágio do jornalismo nos ensina que "Quando o cão morde o homem, não é notícia; quando o homem morde o cachorro, é notícia". Assim, o que chama atenção do jornalismo não será o fato de que milhares de aviões tenham pousado com seus passageiros sãos e salvos mas sim o único acidente do dia em que morreram dezenas de pessoas.





Assim, chama a atenção a notícia que nos chega do Reino Unido onde uma adolescente de 17 anos chamada Donna Shaw morreu de um raro tipo de câncer ósseo. Embora o fato de uma pessoa tão jovem morrer seja muito triste, o que qualificaria esse evento para se transformar em notícia?



O que chamou a atenção dos jornalistas foi justamente o inusitado. Aqui, o "homem que mordeu o cão" é a narrativa de como Donna minuciosamente planejou todas as etapas de seu funeral, desde a roupa que deveria usar no caixão até quem carregaria a urna funerária bem como as músicas que tocariam na cerimônia e, claro, deixou instruções expressas sobre o que deveria ser feito de seu corpo.



Óbvio, os mortos deixam de ter vontade no instante em que abandonam a condição de vivos. Dessa forma, foi fundamental o papel da mãe de Donna em realizar todas as suas últimas vontades. Para tal, ela deu enormes exemplos de dedicação ao abandonar inclusive o trabalho para poder cuidar da filha nos seus últimos dias. Outro detalhe importante, Donna morreu em casa.



Fiquei muito triste com essa notícia. Não só pela morte da adolescente em si, fato que toca imediatamente alguém que tem um filho na mesma idade. O que me entristeceu mais foi saber desse fato enquanto uma notícia jornalística. A autonomia dos moribundos tornou-se algo tão raro hoje em dia que, quando acontece, transforma-se imediatamente em manchete.



Creio que chegará o dia em que falar sobre as últimas vontades de amigos e entes queridos seja algo simples e belo, um exercício lírico de tentar relembrar poéticos momentos. Sonho com o dia em que fortalecer a autonomia dos que estejam morrendo seja a regra e que a diferença e o incomum seja o oposto. Neste dia então viremos a este blog e daremos a seguinte notícia: "Família é publicamente criticada ao não realizar os últimos desejos do filho". Pena que isso ainda não seja manchete.





Leia a íntegra da notícia AQUI









quarta-feira, 20 de abril de 2011

O Abandono dos Mortos Exprime o Abando dos Vivos (Erasmo Ruiz)



Eu sei que imaginar-se na situação que vou propor é extremamente desagradável. Entretanto, acredito que esta é a única forma de mobilizar você para este problema.







Uma pessoa muito importante em sua vida desapareceu. Depois de 48 horas de muito sofrimento e ansiedade, mobilizando pessoas e instituições, você reebe um telefonema da polícia pedindo que se dirija ao Instituto Médico Legal (IML) onde está um corpo que parece coincidir com as descrições da pessoa desaparecida. Nesta situação você é morador de Goiania, capital do Estado de Goiás.



Ao chegar no IML você imagina que irá passar por uma situação típica de seriado americano. Alguém irá leva-lo até o necrotério, puxar uma "gaveta refrigerada" onde jaz um corpo coberto por um lençol. Em outras situações basta que uma câmera com boa definição mostre imagens do corpo eximindo a pessoa do contato direto com o cadáver.



Mas em Goiania as coisas são diferentes. Você encontrará o IML numa interminável reforma que entre outras consequências produziu uma visão digna de Dante na "Divina Comédia" em sua ida ao inferno. Ao entrar você logo sentirá os terríveis odores da putrefação pois os corpos são deixados ao ar livre, expostos ao calor e as moscas. É também ao ar livre que são feitas as necrópsias.



Será nessas condições que você é levado ao "reconhecimento" do presumível corpo de uma pessoa importante para sua vida. No planejamento da realização da reforma não se pensou no óbvio: cadáveres apodrecem se não forem guardados em condições adequadas. Particularmente não acredito que as pessoas não pensaram nisso, donde, parece que não se importaram com as consequências, parece ser descaso mesmo.



Em que pese a problemática higiênica, quero destacar os aspectos humanos em questão. Não é eticamente aceitável que cadáveres sejam lidados dessa forma: empilhados, abandonados e apodrecendo a céu aberto. Não é civilizado e digno que pessoas vivendo estados psicológicos de extrema ansiedade e tensão sejam expostas a possibilidade de encontrar o corpo de um ente querido nestas condições.



O cadáver não é uma "coisa". Ele ainda porta a dignidade humana e é objeto de afeto e cuidado para as pessoas próximas. É inaceitável que a população de Goiania conviva com uma situação destas ha quase dois anos. É inaceitável que seres humanos em estado de vulnerabilidade absoluta sejam expostos ainda mais a esse espetáculo dantesco quando na busca de seus entes queridos.



Episódios como este, infelizmente não tão incomuns como desejaríamos, sinalizam para uma trágica realidade. A forma como cuidamos dos nossos mortos é um dos indicadores do quanto a vida está sendo banalizada, do quanto tendencialmente estamos criando uma  sociedade onde idivíduos e grupos são incompetentes para construir redes de solidariedade. Parece que estamos nos importando cada vez menos uns com os outros.



Abaixo os emails da Assembléia Legislativa de Goias e do Governo do Estado de Goias. Escreva, mostre sua indignação sobre isso:





Assembléia Legislativa de Goias



Governo do Estado de Goias





Acesse a notícia sobre o IML AQUI

sábado, 16 de abril de 2011

Vida e Morte em "Blade Runner": Quem São os Replicantes? (Erasmo Ruiz)





Muito já  foi escrito sobre Blade Runner e este texto comete o atrevimento de ser apenas mais um que pode ou não ter algo a mais para oferecer. Mas para ser sincero, não estou preocupado necessariamente em ser original, apenas em escrever alguma coisa que ache importante sobre este filme para refletirmos sobre a questão da morte e do morrer.
            
             
Antes, principalmente para aqueles que não viram o filme, vamos a um breve resumo. Por volta de 2020 as viagens espaciais e a engenharia genética fazem parte do cotidiano, estão banalizados. O filme passa-se numa Los Angeles onde quem governa a sociedade são as grandes corporações empresariais. A cidade mostra-se paradoxal. Por um lado fica evidente os avanços tecnológicos e suas conseqüências positivas, de outro, nos deparamos com os pesadelos gerados por ela: poluição ambiental – o filme faz o prodígio técnico de reproduzir uma fotografia “noir” em cores – com muita chuva ácida e sol quase que escondido o tempo todo pela fuligem e núvens - e uma superpopulação metaforizada em cenas de multidões se acotovelando em meio a vendedores ambulantes que expressam um multiculturalismo a partir da babel de línguas e produtos de todas as partes do mundo.  






Mas existem outras divisões neste mundo. A população é formada por homens e pelos replicantes, cópias geneticamente potencializadas dos seres humanos, produzidos pela Tyrel Corporation para trabalharem como escravos nas colônias fora do planeta. Embora em tudo sejam superiores aos humanos, os replicantes tem um problema básico. São programados para durarem no máximo 4 anos. Essa medida expressa-se como forma de controle caso os replicantes questionem sua identidade de escravos e resolvam agir por conta própria. Quando isso acontece, um grupo de policiais é utilizado para exterminá-los, são os “Blade Runners”. Aqui se centra a ação do filme. Um Blade Runner interpretado por Harrison Ford sai a caça de um grupo de replicantes em fuga. Mas esta caçada não será como as outras.






Um dos grandes problemas dos filmes de ficção científica é o envelhecimento precoce. Alguns inclusive já nascem com sua estética futurista completamente comprometida com o presente onde o filme é feito. Essa é uma das coisas que surpreende em “Blade Runner”. Apesar de ter sido filmado em 1982, o filme continua surpreendentemente novo em sua estética e figurinos e, dessa forma, nos ilude com sua proposta de se passar no futuro. Mas sob outro ponto de vista, o filme é tão velho quando os artefatos de pedra deixados pelo homens pré-históricos.


A narrativa, como um bom filme de estilo policial, nos prende num primeiro momento pela ações de perseguição ao velho estilo maniqueista do “bem” contra o “mal”. Mas já na primeira terça parte do filme fica evidente que não podemos mais estar presos a estas fáceis dicotomias até porque o problema central trazido pelos replicantes em fuga é a questão existencial não só de todos os personagens do filme mas também da platéia que o assiste. Na verdade, o filme projeta num futuro distante problemas humanos vivenciados por todos aqui e agora. Além de nos reponsabilizar pelo mundo poluído e insolvente, nos coloca o problema da inevitabilidade da morte e o que podemos fazer diante disso. Como nos sentimos diante de uma vida que pode se extinguir a qualquer momento? E não estamos falando apenas da vida do outro, mas principalmente da nossa vida!




Este é o conflito existencial dos replicantes. Querem saber de sua origem, querem entender como foram feitos, querem buscar mais tempo de vida, querem interromper o processo de programação genética que os leva a passos rápidos à morte. Para tal objetivo não medem esforços. Num misto de curiosidade e raiva tipicamente infantil, são curiosos, criativos e extremamente violentos. Um dos pontos altos do filme é quando o líder dos replicantes, interpretado por Rutger Hauer, se encontra com seu criador e lhe propõe as tais questões fundamentais. Qualquer coincidência com uma platéia em busca do “religare” não será uma coincidência!


A cena final, quando o policial e o replicante lutam sua batalha pessoal e coletiva onde vida e morte se defrontam, é o momento mais belo do filme. O homem e o super-homem estão finalmente um diante do outro para descobrirem que na verdade a única coisa que os difere é tão somente a força física. Depois de subjugar o policial, o replicante parece olhá-lo num misto de curiosidade e comiseração. Parece estar diante do espelho. Por estar morrendo, é tomado então por um olhar quase que em êxtase diante da vida que finda e, assim, poupa o policial. As últimas falas do replicante são um resumo de sua vida, uma especulação sobre o sentido disso tudo, uma exaltação a própria existência individual em busca de memória. Como um pensador de Rodin...reflete...enquanto morre sob a fraca opacidade de uma luz constante em meio a chuva interminável.




Assim, saímos do cinema muito entretidos...ficam no entanto algumas perguntinhas que “saíram” da tela e nos acompanham pelo resto da vida. Por que temos de morrer? Existe algum sentido nisso tudo? Como fazer para conseguir mais tempo? O que será de minhas memórias quando me for desse mundo? Todos nós somos “replicantes”!!!??

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Massacre no Realengo: cultura da violência e fundamentalismo? (Ayala Gurgel)





Depois do minuto de silêncio, é hora de falar sobre o que aconteceu.





Hoje, dia 07 de abril de 2011, será um dia que entrará para a memória de muitas pessoas e será lembrado e relembrado por muitos cariocas, brasileiros e outros cidadãos espalhados pelo globo como o dia do Massacre do Realengo. Uma imitação, talvez, do que aconteceu em outros países como Alemanha, China, EUA.



Nesse dia, um jovem chamado Wellington Menezes de Oliveira, de apenas 24 anos, entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira,
no bairro do Realengo, zona oeste da capital fluminense, dizendo ir proferir uma palestra aos alunos. Subiu por três andares, desacompanhado, e entrou em uma sala onde 40
alunos da nona série assistiam aula de português. Ali disparou contra os estudantes com idades entre 12 e 14 anos, tendo como alvo preferencial, meninas.



Os motivos dessa atitude são matéria para muitas especulações, assim como o fim trágico do próprio atirador. O fato é que ele tinha a clara intenção de matar, e o fez. Ao todo, 10 vítimas na hora e mais de 20 feridos. O número de enlutados, em uma situação como essas, se multiplica e muitos ficarão com medo de frequentar suas salas de aula e olharão, nos próximos dias, com temor para algum suspeito imitador.



As especulações começaram com várias elaborações teóricas em torno do estímulo discriminativo que pode levar alguém a cometer uma ação como essa, bem como sobre a sanidade do atirador. A carta deixada por ele, no local, alimenta algumas dessas teorias e rechaça outras. Outras informações virão à tona nos próximos dias, após a invasão da sua conta nas redes sociais, seu computador, suas coisas mais pessoais e restrito círculo de amigos (incluindo alguns meros conhecidos).



Muitas dessas teorias são meras especulações sensacionalistas e pretendem apenas segurar a audiência por alguns minutos a mais. Dentre essas destaco aquelas que buscam um culpado: a assistente social que lhe deu o resultado do exame soropositivo sem prestar a devida assistência, a família que não percebeu seu isolamento, vizinhos e amigos que supostamente sabiam dos planos e não denunciaram, o uso indiscriminado da internet, a ausência de vida social, o porteiro que deixou o cara entrar sem passar por uma revista, a falta de segurança na escola, a demora da polícia em chegar ao local, o traficante que vendeu a arma etc. Talvez não exista um culpado ou todos sejam culpados, pois a extensão dessa lista pode chegar a cada um de nós, como eleitores, cidadãos, consumidores de uma ideologia que alimenta e retroalimenta esses paradigmas comportamentais.



Não quero trabalhar com a análise da culpa, nesse momento, quero apenas pontuar algumas questões morais em torno desse ato:



1) Não se trata de um ato isolado. Uma ação dessas não existe sem que alguns elementos se cruzem, como mostram a análise dos casos anteriores nos países onde ocorreram:



a) fator psiquiátrico (que pode ser tanto um distúrbio quanto um transtorno - o que poderia ter sido percebido e auxiliado se nossa sociedade levasse a saúde mental mais a sério e compreendesse melhor os pedidos de socorro dessas pessoas);



b) fator sócio-cultural (que pode ser tanto uma ideologia religiosa - não raro existem posturas homofóbicas, proselitistas e fundamentalistas por trás - quanto uma atitude de busca da fama, fazer justiça ou provar algo para o grupo a que pertence reforçada pela exposição da ação em mídia nacional e internacional);



c) oportunidades técnicas e operacionais (a facilidade para conseguir armas e munição, treinar/ensaiar o ato, acessar o local da matança, disfarçar intenções e

executar a ação sem ser prontamente interompido);



d) fator agregador, que funciona como gatilho para que a operação seja realizada em tal dia, hora e lugar (como por exemplo, ter sido demitido ou terminar um namoro naquela semana).



2) Há, sem dúvidas, um reforçamento positivo pela exposição midiática gerando a possibilidade de que imitações surjam em um intervalo muito breve (alguns sites estão apelando para que os internautas enviem vídeos e fotos sobre o massacre). Isso faz com que a possibilidade de um imitador seja real e preocupante. O comportamento de imitação é comum entre jovens e muitos se sentem representados em uma atitude como essa.



3) Não há segurança isolada contra um acontecimento dessa natureza. Aconteceu em uma escola pública apenas pelo fator c, do item 1, e poderá acontecer em qualquer outro lugar, em especial que tenha publicidade.



4) A dignidade das pessoas envolvidas (e enlutadas) não precisa ser menosprezada em detrimento de uma audiência telvisiva, pois há muitos fatores complicadores que podem transformar esse processo de luto em algo bastante complicado e dolorido; o que certamente não será respeitado pelos canais de televisão.



5) O pior dos fundamentalismos é o do capitalismo; o fundamentalismo do lucro, que permite que uma cadeia de produção envolvendo o tráfico de drogas e de armas permita que cheguem às mãos de pessoas evidentemente problemáticas soluções mediadas pela violência em preterimento a soluções baseadas em solidariedade e humanismo.



6) Enquanto nossa sociedade não olhar para si mesmo e discutir o que significa a violência que ela mesmo pratica contra seus cidadãos, não haverá paz nas escolas, nos bairros, nos hospitais, no trânsito... nos convívios sociais. Enquanto nossa sociedade não quiser corrigir as suas falhas, outros disparos serão dados, outras manchetes aparecerão... não somos lobos do próprio homem porque tenhamos uma natureza lupina; somos o que somos porque a nossa sociedade tem nos feito assim, e nós a ela.



7) Wellington disparou o gatilho, mas quem atirou, de verdade, foram muitas pessoas, direta e indiretamente envolvidas com os reforçadores e facilitadores de ações como essas, contudo, não é de bom tom que todos sejam apontados como culpados... é melhor, como disse acima, deixar a culpa de lado.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cibele Dorsa: Quando o Suicídio é uma Mercadoria na Grande Imprensa (Erasmo Ruiz)





O suicídio é um tema tabu. Raramente é abordado na imprensa de uma forma direta. Quando emerge, será de maneira abstrata, como um tema geral que aparentemente não tocaria as pessoas tidas como "normais".

Mas como toda morte, aquela que ocorre por suicídio produz consequências biográficas, impactando de forma intensa na vida das pessoas próximas. E se pensarmos então nos elementos de nossa cultura com fortes marcas religiosas, o suicídio é uma espécie de anátema, um estigma que marca as famílias, um perverso jogo psicológico de atribuições e autoatribuições de responsabilidade.







Lermbro-me de um episódio na minha adolescência onde a mãe de um amigo ao saber de um diagnóstico de câncer de mama em estágio avançado acabou cometendo suicídio com um tiro na cabeça, que no velório se transformou na versão de "disparo acidental". A vida daquela mulher havia se transformado em uma mácula que as pessoas, apesar de ama-la, não estavam dispostas a comartilhar pelo medo da vergonha e do dedo em riste.



Os jornais tendem então a dar destaques curtos ao suicídio, são mais "generosos"  com os pobres que se matam ingerindo veneno para ratos e muito discretos com empresários que se jogam do alto de prédios por não cosneguirem mais driblar crises financeiras. As notícias são notas e os suicidas são objetos que se autodestruiram, não possuem vida e memória!



Essa conduta de "redação e estilo" não está escrita em canto algum mas é quase sempre respeitada. Existe o medo que ao veicular o suicídio estaríamos incentivando uma "epidemia" de suicídios como foi acusado Goethe quando seu personagem Werther suicida-se, exemplo que teria sido seguido por muitos jovens que se identificarfam com os dilemas de Werther.



Mas estamos agora assistindo a uma excessão, afinal, as razões de mercado se impõem a qualquer lógica engendrada pela idéia de proteção social. Ha poucos dias a atriz Cibele Dorsa cometeu suicídio jogando-se do alto do prédio onde morava  depois de semanas enfrentando um processo depressivo decorrente do suicídio de seu jovem noivo em circunstâncias similares.



Não adentraremos na discussão dos motivos de Cibele. Mas o que parece ser diferente nessa situação é o fato dela ser uma celebridade, atriz e escritora famosa. O processo que leva ao seu suicídio pode ser em parte acompanhado pela internet, pelo Twitter e pelo Youtube, onde postou um vídeo em homenagem ao noivo morto. Nas redes sociais pediu desculpas pelos gesto que em breve iria realizar e ao mesmo tempo apresenta as justificativas embasadas na sua dor.



No fim, o tradicional bilhete suicida,  que na verdade é um email mandado para  a revista "Caras" (vide link no final do post) . E foi assim que o mundo de "Caras" cheio do luxo e do glamour dos ricos e famosos acabou por abrir suas portas a um assunto não abordado pela revista. Dever de informação? Imposição do trabalho de jornalismo?



O ex marido de Cibele, particularmentre exposto pelo conteúdo do email, tentou impedir a publicação e o conseguiu por alguns dias. No entanto, a revista através da justiça conseguiu veicular a mensagem. Com esse gesto, muito provavelmente, a revista conseguiu atrair o olhar curioso de milhares de leitores que não estão necessariamente interessados em saber a decoração dos banheiros de um magnata mas que, dada a interdição do tema suicídio, ficarão atraídos pela matéria.



E lá podemos ler sobre a dor e o sofrimento de um ser humano em extrema crise. Mas, infelizmente, isso é quase nada destacado pela matéria. O email de suicídio na verdade se transforma em isca para vender revista, um lembrete trágico de um chavão que os ricos gostam sempre de referir: "dinheiro não traz felicidade"!



As dores e inconfidências, agora tornadas públicas, alimentam o imaginário de todos que leem o texto. Seria o ex marido co-responsável pela tragédia ao impedir a atriz de ver os filhos? E o papel das drogas nessa história toda? Ainda é possível morrer por amor? Psiquiatras e psicólogos poderão agora usar o email  em aulas de psicopatologia para destacar em termos práticos o "doentio" e mórbido" imaginário de um suicda às portas da morte.



Mas...e das dores de Cibele? E a necessária empatia para lidar com um sofrimento que não está restrito apenas a ela mas que em parte é de todos nós? Nestes aspectos ressoa um silêncio ensurdecedor! Até porque o suicídio é algo que só pode acontecer com os outros!



email de Cibele