BERLIM, 21 Abr 2008 (AFP) - Gregor Schneider, um dos artistas plásticos alemães mais em voga no momento, causou polêmica nesta segunda-feira em se país ao querer expor um moribundo em um museu, quebrando assim um dos últimos tabus sociais. "A morte e o caminho para a morte são infelizmente, hoje em dia, um sofrimento", afirma o artista de 39 anos em uma entrevista ao jornal Die Welt em sua edição on-line. Schneider, que pulou para a fama em 2001 quando obteve o Leão de Ouro da Bienal de Arte de Veneza, defende sua ideia de expor uma pessoa a ponto de morrer de forma natural ou então uma pessoa que acabe de falecer. O artista explicou que está em busca de uma pessoa que dê seu consentimento para ser expostas nestas condições. Sua intenção é expor o moribundo no museu Haus Lange de Krefeld (oeste). "A morte é, efetivamente, um tabu em nossa sociedade", enfatizou Hans-Heinrich Grosse-Brockhoff, secretário de Estado da Cultura da região da Renânia do Norte-Westfália, onde se encontra o museu. "Mas isso é motivo para se expor uma morte de verdade?", questionou a autoridade. Na verdade, o artista plástico está procurando um paciente terminal para participar de uma instalação na qual o doente morreria na galeria de arte. Segundo Schneider, o doente passaria suas últimas horas de vida em uma galeria, no centro de uma instalação aberta ao público. De acordo com ele, todo o processo artístico seria preparado com o consentimento do paciente e de seus familiares, que poderiam determinar como o moribundo seria apresentado. Ele argumenta que tornar a morte pública pode servir para diminuir o medo das pessoas sobre o momento da morte. O artista afirma que a instalação apresentaria a morte de uma maneira respeitosa e humana, e com um mínimo de privacidade – o doente ficaria em um espaço fechado com acesso controlado. "Essa ideia já me persegue há mais de dez anos", disse o artista em uma entrevista à imprensa alemã. Polêmica A idéia de Schneider gerou polêmica na Alemanha. Segundo Schneider, ele teria recebido ameaças de morte depois de tornar sua idéia pública. Políticos de partidos de esquerda e de direita criticaram o projeto dizendo que se trata de um "abuso da liberdade artística". Silvia Loehrmann, deputada do partido verde no estado da Renânia do Norte-Vestfália, local onde Schneider quer expor sua obra, disse que não pode imaginar que pessoas queiram ver um moribundo "como vêem animais em um zoológico". Caso consiga realizar a instalação, esta não será a primeira vez que a morte seria tema de uma obra de Gregor Schneider. Ele já produziu uma instalação onde uma mulher morta era representada por um boneco e também já encenou sua própria morte, além de ter produzido esculturas relacionadas com o tema.
domingo, 31 de maio de 2009
Artista plástico alemão quer exibir um moribundo num museu
BERLIM, 21 Abr 2008 (AFP) - Gregor Schneider, um dos artistas plásticos alemães mais em voga no momento, causou polêmica nesta segunda-feira em se país ao querer expor um moribundo em um museu, quebrando assim um dos últimos tabus sociais. "A morte e o caminho para a morte são infelizmente, hoje em dia, um sofrimento", afirma o artista de 39 anos em uma entrevista ao jornal Die Welt em sua edição on-line. Schneider, que pulou para a fama em 2001 quando obteve o Leão de Ouro da Bienal de Arte de Veneza, defende sua ideia de expor uma pessoa a ponto de morrer de forma natural ou então uma pessoa que acabe de falecer. O artista explicou que está em busca de uma pessoa que dê seu consentimento para ser expostas nestas condições. Sua intenção é expor o moribundo no museu Haus Lange de Krefeld (oeste). "A morte é, efetivamente, um tabu em nossa sociedade", enfatizou Hans-Heinrich Grosse-Brockhoff, secretário de Estado da Cultura da região da Renânia do Norte-Westfália, onde se encontra o museu. "Mas isso é motivo para se expor uma morte de verdade?", questionou a autoridade. Na verdade, o artista plástico está procurando um paciente terminal para participar de uma instalação na qual o doente morreria na galeria de arte. Segundo Schneider, o doente passaria suas últimas horas de vida em uma galeria, no centro de uma instalação aberta ao público. De acordo com ele, todo o processo artístico seria preparado com o consentimento do paciente e de seus familiares, que poderiam determinar como o moribundo seria apresentado. Ele argumenta que tornar a morte pública pode servir para diminuir o medo das pessoas sobre o momento da morte. O artista afirma que a instalação apresentaria a morte de uma maneira respeitosa e humana, e com um mínimo de privacidade – o doente ficaria em um espaço fechado com acesso controlado. "Essa ideia já me persegue há mais de dez anos", disse o artista em uma entrevista à imprensa alemã. Polêmica A idéia de Schneider gerou polêmica na Alemanha. Segundo Schneider, ele teria recebido ameaças de morte depois de tornar sua idéia pública. Políticos de partidos de esquerda e de direita criticaram o projeto dizendo que se trata de um "abuso da liberdade artística". Silvia Loehrmann, deputada do partido verde no estado da Renânia do Norte-Vestfália, local onde Schneider quer expor sua obra, disse que não pode imaginar que pessoas queiram ver um moribundo "como vêem animais em um zoológico". Caso consiga realizar a instalação, esta não será a primeira vez que a morte seria tema de uma obra de Gregor Schneider. Ele já produziu uma instalação onde uma mulher morta era representada por um boneco e também já encenou sua própria morte, além de ter produzido esculturas relacionadas com o tema.
Rede Globo de Televisão fala, no Jornal Hoje, sobre Direitos Sociais dos Moribundos
Veja o vídeo no qual o Jornal Hoje, do dia 23 de abril de 2009, exibe a primeira parte da matéria.
(Para assisti-lo copie o link abaixo, abra uma nova aba no seu navegador e cole-o no endereço)
http://g1.globo.com/jornalhoje/0,,MUL1095812-16022,00-PORTADORES+DE+DOENCAS+GRAVES+DEVEM+CONHECER+SEUS+DIREITOS.html
A segunda parte da matéria foi publicada em reportagem exibida no dia 24 de abril.
(Para assisti-lo copie o link abaixo, abra uma nova aba no seu navegador e cole-o no endereço)
http://g1.globo.com/jornalhoje/0,,MUL1097196-16022,00-CONHECA+DEFICIENTES+QUE+CONSEGUIRAM+ISENCAO+DE+IMPOSTOS.html
Iniciativas como essas são muito importantes, especialmente pelo poder de influência que esse canal de televisão possui.
Modelos de Assistência Paliativa: O Hospital do Servidor do Estado de São Paulo
O HSPE-FMO (Hospital do Servidor do Estado de São Paulo - Francisco Morato de Oliveira) foi inaugurado em 9 de julho de 1961 e vem sendo mantido pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE ), uma autarquia ligada à Secretaria Estadual de Saúde cujo principal objetivo é prestar atendimento médico aos funcionários públicos estaduais, seus dependentes e agregados. Localizado na Rua Pedro de Toledo, 1800, Vila Clementino, em São Paulo, capital, conta atualmente com 1.150 leitos e responde por aproximadamente três milhões de pessoas, o que equivale a 7,5 % da população do Estado e cerca de 3.100 atendimentos diários entre ambulatório e Pronto Socorro. Possui 45 serviços (especialidades) médicos, além de oito serviços não médicos – como nutrição, fonoaudiologia e fisioterapia. Todo mês são realizadas por volta de 1.200 cirurgias e mais de 310 mil exames laboratoriais. O serviço de cuidados paliativos do HSPE-FMO começou em agosto de 2000, com a experiência da Dra Maria Goretti e sua equipe em torno do Programa de Cuidados Paliativos, dentro da Assistência Domiciliar desse hospital. Em 26 de dezembro de 2002 nasceu a enfermaria de cuidados paliativos, localizada no 12o andar, com acesso à direita de quem sai do elevador da ala direita, contendo nove suítes, com duas camas devidamente preparadas para acomodar paciente e acompanhante, cadeira, mesa de apoio e guarda-roupa. As suítes, com dimensões aproximadas de 4x4 m, estão equipadas com oxigênio, campainha ligada a sala de enfermagem, são bem iluminadas e ventiladas por meio natural, graças à janela de vidro que ocupa 2/3 da parede leste, favorecendo inclusive uma bela vista da cidade de São Paulo. Caso haja a necessidade de controlar a claridade ou ventilação, a janela conta com sistema de fechamento completo e cortina para bloqueio de aproximadamente 60% da claridade solar. Infelizmente, os banheiros ainda não possuem sistema anti-queda, o que pode ser um problema, especialmente para aqueles pacientes que gozam de autonomia na hora do banho. Qualquer meio de entretenimento, tais como televisor ou aparelho de som devem ser de propriedade dos usuários. Em junho de 2003 foi inaugurada a galeria professor doutor Marco Túlio de Assis Figueiredo, onde funciona a atual unidade de cuidados paliativos. Essa galeria é uma homenagem ao professor da disciplina eletiva de cuidados paliativos, chefe do ambulatório de cuidados paliativos da Unifesp/EPM e um dos sócios fundadores da International Association for Hospice and Palliative Care. Segundo a Dra Maria Goretti, «Marco Túlio é o pai dos cuidados paliativos no Brasil».
Se você quiser que seu trabalho ou sua instituição apareça aqui, envie as informações para nosso contato. Será um prazer divulgar o trabalho de quem cuida com ética, dignidade e profissionalismo dos nossos moribundos
quinta-feira, 28 de maio de 2009
IML enterra os corpos dos indigentes em valas comuns
Notícia retirada de :
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=642013LEMBRANDO O HOLOCAUSTO
IML enterra os corpos dos indigentes em valas comuns
O desrespeito aos mortos e suas famílias é praticado pelo Estado. A cena macabra ocorre no Cemitério do Bom Jardim Descaso, desrespeito com os mortos, indigentes enterrados como animais, sem qualquer sombra de dignidade. Esta foi a denúncia que o Diário do Nordeste recebeu, investigou e confirmou, ontem pela manhã, no Cemitério do Bom Jardim. Cadáveres de pessoas falecidas em acidentes de trânsito, assassinatos, afogamentos, suicídios ou outras formas de morte violenta são levados do Instituto Médico Legal da Capital para aquele cemitério, na zona sul de Fortaleza, e ali jogados em valas. São cenas parecidas com aquelas vistas em filmes que contam o holocausto. O flagrante aconteceu exatamente ao meio-dia, quando um rabecão do Instituto Médico Legal (IML), propositadamente sem placa e totalmente descaracterizado, parou em uma rua estreita, junto a um matagal e ao lado do cemitério. Ali já estavam funcionários de uma empresa terceirizada que trabalham como coveiros. De forma rápida e sorrateira, os funcionários do IML abriram as portas do rabecão e puxaram os gavetões onde havia corpos inteiros e pedaços humanos. A cena macabra continuou quando os gavetões foram passados por debaixo de uma cerca de arame farpado. Do lado ´de dentro´ do cemitério as valas já estavam abertas. Os coveiros não demoraram. Viraram as gavetas, literalmente ´despejando´ os cadáveres e restos mortais no buraco. Denúncia A informação de que corpos de indigentes (pessoas que não são identificadas ou foram abandonadas pelas famílias) passavam pouco tempo no IML - por conta da falta de geladeiras - e logo eram enterrados, foi motivo de uma matéria especial publicada pelo Diário do Nordeste na edição do dia 12 de janeiro deste ano e repercutida nas edições seguintes por diversas autoridades da sociedade cearense, entre elas, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Assembléia Legislativa. Desta vez, a denúncia da forma brutal como os cadáveres vêm sendo enterrados, chegou ao jornal por meio de moradores do bairro Bom Jardim, indignados com a situação e não suportando mais conviver com o mau cheiro que exala das covas rasas ou valas abertas ali diariamente. Além dos cadáveres - muitos em decomposição - membros de corpos humanos como pernas, braços, até cabeças e vísceras, também costumam ser jogados nos fundos do cemitério, aos olhos da comunidade, segundo o relato dos moradores. Por volta das 10 horas de ontem, a equipe do Diário do Nordeste saiu em busca de confirmar a informação. Duas horas depois - ao meio-dia - o rabecão apareceu. Exatamente conforme o relato dos moradores do bairro, o veículo parou na Rua Maranguape, ao lado da cerca de arame farpado. O ´trabalho´ foi rápido e os moradores que chegavam próximos dali para testemunhar a cena dantesca eram enxotados pelos coveiros terceirizados. Desconfiados Depois de ´despejar´ os cadáveres nas valas, os coveiros se afastaram. Os homens do rabecão jogaram fora suas luvas e máscaras, entraram rapidamente no veículo e saíram em alta velocidade, desconfiados da presença de estranhos nas proximidades e acreditando que a Imprensa estava por perto do cemitério. Mesmo a distância, os moradores observaram tudo. Revoltados, pais afastavam os filhos. Jovens reclamavam da podridão. “Eles quase não jogaram areia em cima dos cadáveres. Ficamos aqui expostos a esse absurdo”, reclamou a dona-de-casa Celismar Costa Almeida. Segundo a vizinhança, praticamente todos os dias a cena se repete. Os moradores dizem ainda que, com o rigor do inverno, a enxurrada acaba levando a areia das covas e valas e os cadáveres voltam a ficar expostos, aumentando também o mau cheiro diante da decomposição. Os riscos de doenças graves atingirem os moradores, principalmente crianças e idosos, aumentam. Para a população do Bom Jardim, a falta de respeito com os mortos e a indiferença dos órgãos públicos com a dor das famílias dos falecidos tornaram-se uma triste rotina. RISCO DE DOENÇAS Vizinhança sofre com o grave problema “Hoje foram quatro cadáveres. Pior foi ontem. Oito cadáveres foram jogados como bichos, no cemitério. E junto sempre vem pedaços de gente; pernas, braços, vísceras. A gente não merece ter que conviver com isso”. Este foi o desabafo do feirante Wellington Teixeira, 50, morador da rua que passa nos fundos do cemitério do Bom Jardim. Ontem, Wellington acompanhava a equipe do Diário do Nordeste e falava sobre o dia anterior, quando o rabecão ´despejou´ outros oito cadáveres no local. “Eles (cadáveres) vêm em decomposição. Ninguém agüenta o fedor”, contou. Foi ele e uma vizinha que confirmaram a ocorrência constante do problema. “Antes demorava mais para acontecer, agora é direto. Trazem dois cadáveres, um em cima do outro, em cada gaveta daquelas do rabecão. E isso não só incomoda a gente, mas comove também. É muito triste ver uma vida humana se acabar daquele jeito”. Segundo a vizinha, que pediu para não ser identificada, os corpos chegam no carro do Instituto Médico Legal, muitas vezes, cobertos apenas por pedaços de pano. “Temos muitas crianças aqui, elas já se acostumaram”, disse. A dona-de-casa Celismar Costa Almeida falou sobre o mau cheiro que invade as casas ao redor do cemitério. “Corpos em decomposição são enterrados em cova rasa, sem qualquer proteção. O resultado é esse. Tem dia que ninguém almoça porque não agüenta”, relatou. Além disso, Celismar citou as chuvas como agravante para o problema. “Moramos na Rua Maranguape, que é um ´baixo´. A água escorre do cemitério para cá quando chove. Vem uma água verde, fedorenta. Isso quando não aparecem restos mortais boiando por aqui.” Segundo a moradora, crianças da comunidade brincam com luvas e toucas que são utilizadas pelos ocupantes do rabecão e, em seguida, jogadas no meio da rua. “As crianças não entendem o quanto aquilo é sujo e pode trazer doenças.” Impostos Antônia Ferreira Chaves, mãe de três filhos e também moradora da Rua Maranguape, lamenta o descaso das autoridades com a situação. “Aqui na comunidade mora gente decente, que paga impostos, que não precisa passar por isso”, avaliou. Antônia denuncia outro fato gravíssimo. “À noite, costumam queimar ossos, restos mortais no cemitério. A fumaça vai longe, o mau cheiro também. Alguém tem que acabar com isso.” Antônia mora naquele bairro há 10 anos. “Não tenho outro canto pra ir.” RELIGIOSIDADE Padre diz que sepultamento digno é um direito sagrado Independentemente da civilização, enterrar os mortos é um ritual necessário. Antes de ser um ato apenas legal, o sepultamento constitui um ritual sagrado. Na tradição cristã, enterrar o corpo significa garantir a ressurreição. “É um direito sagrado que faz parte da ética humana e religiosa”, afirma o padre Luís Sartorel, diretor do Instituto de Ciências Religiosas (Icre), completando ser um grande desrespeito à dignidade humana a violação deste direito individual. “O ritual fúnebre inclui oração, choro, veneração e luto”, ressalta. O teólogo considera importante a identificação da pessoa, bem como a localização de parentes pelas autoridades para que tomem conhecimento da morte do parente. “Muitas vezes, são pessoas que saíram de casa há muito tempo ou que mudaram de endereço”, justifica. A preocupação é encontrar alguém da família para que a pessoa morta tenha direito a ser sepultada com dignidade. Conforme o religioso, o respeito ao corpo físico não se encerra com a morte com da pessoa. De acordo com a visão cristã, a morte implica na necessidade de reconhecimento da dignidade deste corpo. Ele faz parte da essência humana, sendo elemento fundamental para a ressurreição. “O corpo é uma mensagem, um sinal. O direito ao sepultamento digno e em local decente é uma questão de respeito ao semelhante. Cabe às autoridades encontrar os parentes das pessoas mortas em situação de indigência.” FERNANDO RIBEIRO/NATHÁLIA LOBO"Depois da Vida" de Hirokazu Kore-Eda (Ingrid Esslinger)
Quero refletir sobre o filme Depois da Vida (Wandâfuru Raifu – Japão, 1998), de Hirokazu Kore-Eda, o qual assisti em 25/05/09, em um evento promovido pelo Premier Hospital/ Grupo Mais/ Cinemateca Brasileira e Obore com o apoio da Faculdade de Medicina de Itajubá, Academia Nacional de Cuidados Paliativos e Instituto Paliar. O evento faz parte do ciclo de debates intitulado Aprendendo a Viver/Aprendendo a Morrer, que vem acontecendo na Cinemateca de São Paulo. No filme, um grupo de “cineastas” recebe pessoas que recentemente morreram e lhes atribui a tarefa de escolher, num prazo de três dias, uma única cena de suas vidas a qual será registrada como única lembrança. Só depois de feita a escolha e de assistirem à cena criada, as pessoas podem partir para a eternidade. É um filme que nos faz pensar intensamente no significado da vida e da morte. Dentre os pontos que me tocaram a alma está a constatação de que bem viver e bem morrer estão intrinsecamente ligados. A morte parece ser mais aceita para aqueles que puderam dar à vida um significado, enfim aos que viveram! Lembra-te antes que se rompam os fios... Dois personagens, uma velhinha que singelamente recolhe folhas, flores, plantas, recolhe metaforicamente a vida que, ao ser vivida, também se esvai; um idoso, após trabalhar durante 50 anos numa mesma fábrica, parece dizer que passou a vida em branco! Ele tem dificuldade em atribuir um significado para sua existência. Este é um paralelo que podemos fazer e que bem apontou uma das debatedoras do filme, a Dra. Maria Goretti Maciel, entre os Cuidados Paliativos e o movimento da própria vida: dar um sentido para nossas experiências, dentre elas, a experiência final de nossa própria morte, podendo integrá-la e aceitá-la como um último acorde de nossa biografia. Com sutileza e envolvimento, a equipe de “cineastas” funciona como facilitadora da apropriação deste significado para cada um dos personagens. Com a ajuda da referida equipe uma outra personagem substitui sua lembrança inicial da “Disneylândia” por uma lembrança do cheiro de sua mãe, quando estava em seu colo, bem pequenina... A Disneylândia é comparada por outro debatedor, o escritor Marcelino Freire, a algumas medidas fúteis e inúteis que muitas são vezes realizadas pela equipe de saúde, prolongando-se um longo e penoso processo de morte, mais do que vida propriamente dita. Preço que pagamos em nossa cultura ocidental, pela negação da morte! Há que deixar o morto ir! Tarefa fácil? Evidentemente que não, ainda mais quando o moribundo se nega a morrer... Um dos personagens do filme, um jovem de 21 anos, recusa-se a escolher sua cena. Deduz-se que ele não quer ir para a eternidade e, no final do filme, ele é tido pela equipe de “cineastas”, como difícil, pois nega sua própria fragilidade e finitude. Tanto a equipe de cineastas do filme, quanto os profissionais de saúde, notadamente os que trabalham com Cuidados Paliativos precisam rever o significado de sua vida e de sua morte, para, num processo de identificação com a experiência pela qual o paciente está passando, para com ele ser empático, ter sim um envolvimento, mas ao mesmo tempo, não atribuindo ao paciente, valores, conceitos, preconceitos e mesmo angústias que sejam suas! Portanto, cabe à equipe de saúde rever seus lutos. Aliás, de que é feita a vida, senão de grandes e pequenas partidas, despedidas, chegadas? A hora do encontro é também despedida, a plataforma desta estação é a vida, é a vida deste meu lugar, é a vida. A chegada e a partida, o pleno e o vazio foram belissimamente retratos no filme, por meio da imagem de um banco ora cheio de pessoas, ora vazio. Leitos de hospitais, de hospices, de casa, ora ocupados por um ente querido, ora vazios porque este se foi. Memória e temporalidade: são intensamente contemplados neste filme. Uma das cenas que para mim foram mais tocantes é quando um personagem da equipe de “cineastas” se dá conta de que ele fez parte da cena que alguém escolheu para levar para a eternidade. Portanto, mesmo sem escrever um livro, plantar uma árvore ou ter um filho, talvez seja possível aceitar melhor nossa morte e viver melhor nossa vida, se nos dermos conta de que, provavelmente para alguém fazemos parte de seu momento especial e ficaremos, em sua memória, eternizados. E assim o tempo, este que para a sociedade ocidental se tornou o grande inimigo, possa ser, na realidade, nosso grande aliado. Parabéns à equipe organizadora do evento pela escolha do filme! INGRID ESSLINGER Dra. Em Psicologia pela Universidade de São Paulo, Psicoterapeuta, membro da Comissão de Bioética do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Autora dos Livros Adolescência:Vida ou Morte?(Ed. Ática) e De quem é a vida, afinal? (Ed. Casa do Psicólogo).
domingo, 24 de maio de 2009
MANIFESTO AOS PADEIROS
Presunçosos? Banalizadores? Acaso devemos nos cercar da seriedade do guardião da biblioteca de "O Nome da Rosa"? Talvez o que seja "banalizar" para alguns possa ser uma forma de mostrar aos outros, com alguma graça e leveza, a dor e o sofrimento desse mundo. No fim das contas estamos todos agindo feito crianças, rindo daquilo que nos causa medo. Mas o riso talvez seja uma forma de sinalizar ao mundo que precisamos ver a morte com outros olhos para fugir isso sim da banalização da vida.
Ora, não existe uma vida que se opõe a morte na arte. Devemos nos libertar dessas falsas dicotomias. Vida e morte formam uma totalidade e se nos sentimos incomodados ou ofendidos com a morte sendo utilizada como matéria prima da arte, talvez tenhamos que parar para refletir o quanto não estamos vendo mais a vida pulsante nas canções, nos quadros, nas esculturas, no cinema. Não que ela não esteja lá, mas porque nós, ao negarmos doentiamente a morte, mesmo com a erudição e a sofisticação dos filósofos e dos literatos, estamos na verdade nos negando a perceber a VITALIDADE em sua unidade mais bela. Eros e Thanatos são irmãos xipófagos, um não vive sem o outro.
A iminência da morte, ter que conviver com ela mesmo que de soslaio mas sabendo que ela está ali, nos mostra a face do homem diante de seu maior mistério, medo e vulnerabilidade. Por isso, o personagem de Remarque em "Nada de Novo no Front" se desespera quando é obrigado a conviver numa trincheira com o soldado francês agonizante que ele mesmo feriu. Frente a frente, olho no olho, em situação que não exigia mais a ferocidade aliada à desconstrução da imagem humana, o soldado podia ver aquilo que o outro realmente era: um ser humano apesar de francês, um ser humano apesar de inimigo. Assim, o personagem se descobre, apesar de singular, como pertencente a espécie humana e, portanto, com atributos similares àqueles que negava naquele que deveria matar. Particularmente emotivo, é o relato que descreve o conteúdo da carteira do soldado francês, cheia de fotos das pessoas queridas. Naquele instante, o alemão tem a real dimensão do seu oponente. Ele não é um animal, ele é um homem e, tragicamente, além de homem, ele agora é dotado de atributos correlatos aos seus, ele é uma pessoa que ama, enfim, uma história para viver e contar. A condição da finitude iminente colocam o francês e o alemão no mesmo barco.
Por fim, presunção maior talvez seja indicar caminhos religiosos (ou não) a cada um de nós. Estamos tocando todos na face de D(d)eus cotidianamente, seja alguma coisa em algum lugar que manipula os cordões sem que a gente tenha clareza disso ou seja essa coletividade incomensurável chamada gênero humano, o verdadeiro Deus de Feuerbach, projeção do homem nas igrejas, paraísos, infernos e terras prometidas. Particularmente fico com a segunda hipótese...e dai? Serei mais belo ou feio, bom ou perverso, burro ou inteligente por conta disso?
Por fim, convido todos a rirem com o vídeo abaixo. A morte não pode ser a letargia da rotina. Pensar na morte deve fazer com que se desdobre a imensa alegria adormecida nesse sistema que nos impele a trabalhar a vida toda para depois morrermos sem antes enriquecermos ainda mais os tanatocratas. Rir ainda é o melhor remédio. Fiquemos ao lado de Eros sabendo que essa convivência só será plena na medida em que nos lembremos sempre da existência de Thanatos.
A Morte Pode ser Engraçada!

Deixo com vocês dois pedacinhos do filme "O Sentido da Vida" do grupo inglês "Monthy Python". Eles adoram satirizar nossos mais "sólidos" valores e, neste filme, saem em busca da resposta para a tradicional pergunta: "qual é o sentido da vida?". Prestem a atenção sobre a esquete dos peixes no aquário do restaurante e, em seguida, uma animação musical sobre a pergunta do filme: IMPAGÁVEL!
A Doença da Ministra, a Morte e Nossa Humanidade (Erasmo Ruiz)

Podemos ficar vendo televisão e nos emocionarmos com uma novela. Nenhuma falta grave, afinal, a vida nos condiciona a termos determinadas reações. Sou do tipo "manteiga derretida", meio sensível a qualquer melodrama. Uma parte de mim execra este tipo de manifestação cultural, atira ferozmente contra o reino dos clichês, revolta-se contra o filme sobre o pai que leva o filho com os dias contados para um parque de diversões. O roteirista coloca a cena com o objetivo de nos arrancar lágrimas na marretada e, de fato, quase sempre acaba conseguindo. Mas outra parte de mim entrega-se a proposta do enredo e, sem vergonha alguma, chora copiosamente.
Parece que sempre dá certo. Do teatro passando pelo cinema e desaguando nas novelas, as pessoas ficam meio que abertas às lágrimas tidas como fáceis. Podemos acessar nossas mentes e, feito computadores atrás de arquivos perdidos, encontraremos muitas explicações do porque dessas lágrimas correrem feito cachoeira. Nunca descobriremos efetivamente porque José de Arimatéia chorou ao ver o sofrimento da personagem de novela que estava morrendo de câncer ou porque Maria da Glória debulhou-se em prantos ao ver o noticiário sobre a morte do Papa. Mas podemos intuir uma "abstração do melodrama", uma "teoria geral da lágrima".
Eu não me atreveria a perturbar o leitor com tal ousadia. Essa tarefa deve estar a cargo de críticos de arte, dos filósofos profissionais, dos sociólogos e antropólogos da subjetividade e da emoção, de alguns psicólogos que afogados em tanta soberba exigem o monopólio do estudo do comportamento humano. Um dia, quem sabe, o acúmulo de conhecimento resolverá a pendenga se vivemos como uma barata esmagada pela indústria cultural ou se existe uma imanência humana em relação a dor ou ao sofrimento. No entanto, permito-me a uma constatação singela. As pessoas se interessam tanto pela morte na mídia porque, talvez, sintam e discutam a partir da fição e da realidade o próprio morrer pessoal. È a mídia com seu conjunto de imagens pasteurizadas e seus assuntos programados nosso pobre e principal canal de interlocução com a morte e seus desdobramentos existenciais
A morte parece ser a "nova pornografia", o assunto proibido, o tabu que se encastela nesse novo milênio que nos acena com as possibilidades irrestritas do conhecimento científico: "Acabará a fome da Humanidade" dizem alguns, "Viveremos em grande conforto" dizem outros, "acabarão as doenças" profetizam outros tantos. Mas, a verdadeira ilusão é aquela que afirma: "gozaremos da imortalidade". Esta afirmativa, já posta desde a Epopéia de Gilgamesh*, nos tornam seres absolutamente preocupados com a questão da morte e do morrer o que nos leva, necessariamente, a refletir sobre a própria vida a ponto de alguns transformá-la no mais absoluto tormento. O medo de morrer transforma-se no medo de viver. Neste sentido, olhar a tragédia dos personagens dos filmes ou da vida real pode inspirar as pessoas a produzirem o azedume de misturar vida e ficção muitas vezes dando roupagens de realidade a uma peça ficcional
Talvez por isso tantos choram, talvez por isso as redações dos jornais e os autores de novela, consciente e inconscientemente, transformem a morte do outro em mercadoria para aqueles que são incapazes de pensar diretamente a própria morte, porque agir dessa forma poderia significar constatar, ainda em vida, a miséria existencial onde maioria de nós se encontra...miséria de ausências de alternativas, de vínculos afetivos artificiais, de trabalhos penosos e vazios de conteúdo. Nossa sociedade é repleta de objetividade, tem obsessão por medidas que aprofundam o conhecimento da natureza mais parecem produzir uma cultura da superficialidade da individualidade inserida na vida coletiva. Dai a necessidade de gráficos precisos para localizar as células cancerosas do astro do rock, dai ficarmos grudados na tela acompanhando o andar cambaleante de um pobre Marlon Brando já no fim da vida escoltado por “paparazzis”, dai a fixação por filmes de terror. Tudo isso permite nos aproximarmos da morte sem de fato refletirmos sobre ela em nossas vidas!
Não podemos mais discutir o que está interditado, não estamos mais preparados para enfrentar a morte a não ser como produto de consumo e, como tal, um produto que vai gradativamente submetendo-se à ditadura dos rótulos massificados e massificadores. Sejam bem vindos ao mundo da mercantilizaçao da morte e do morrer!. Sejam de fato o que todos são, comportem-se como coisas, como produtos que podem ser trocados ao bel prazer dos desejos da mão invisível. Nietzsche estava errado, deus não morreu, ele existe e seu nome é Mercado! Como um Midas invertido, que transforma ouro em excrementos, a mão invisível nos esfrega a tragédia da morte na mídia porque o segundo de publicidade ficará mais caro. Os jornais nos guiam aos labirintos das meninges do astro do cinema porque querem vender mais, não por solidariedade à tragédia de um ser humano.
Agora, a bola da vez é o câncer da ministra Dilma. Indecorosamente somos expostos a análises de conjuntura onde o futuro desse país está nas mãos de um linfoma. Curiosamente, milhões de pessoas estão diante das telas para aprenderem noções básicas de oncologia e sucessão presidencial. Transformaram a saúde da ministra em análise de conjuntura. Uns dizem que tudo é mentira para humanizar uma pessoa fria e sem carisma. Outros exaltam a fibra e a coragem de uma mulher que publicamente enfrenta seu câncer. Ora senhores, por favor, guardemos um certo nível de compostura sobre a dor, o sofrimento e a morte...sim...pois é isso que sempre passa pela cabeça das pessoas quando ouvem que alguém tem “aquela doença". Deixemos de hipocrisia!
Será que vendedores de jornais e seus leitores não aprenderam ainda que a dor, o sofrimento e o morrer do outro também é o nosso morrer? Como dizia o poeta Cazuza: "Senhoras e Senhores, trago boas novas, eu vi a cara da morte e ela estava viva!". Façamos o jogo das análises políticas. Nele, a vida e a morte sempre se digladiaram. Mas nesse tabuleiro, como todo jogo, há que se existir algumas regras. O homem vivencia uma luta sem quartel ha pelo menos cem mil anos pela definição destas. Muito já foi feito desde que Marx, o velho profeta ateu, constatasse na segunda metade do século XIX que o homem estava adentrando em sua pré-história.
Depois de duas guerras mundiais, depois de campos de extermínio e agora quando o extermínio de crianças em Dafur invade nossas salas ditas de estar pela TV, talvez uma regra fundamental possa ser firmada, qual seja, que a tragédia pessoal de todos nós - o enfrentamento com determinação, alegria, dor e ponderação do fenômeno da morte - possa ser minimamente respeitado, seja naquilo que um personagem de filme possa evocar, seja naquilo que um ser humano real e concreto nos sinaliza. À Ministra Dilma Rosseti , todas as críticas positivas e negativas que nós como cidadãos, agentes ativos da construção da história, podemos e devemos fazer. Ao ser humano Dilma, a solidariedade de todos nós, gladiadores da vida, pois, como eles diziam na Roma antiga: “Aqueles que vão morre te saúdam” Ministra!
ERASMO RUIZ
* Mito sumério provavelmente relatado por volta do quarto milênio antes de cristo. Neste mito, a principal força movente do heroi é a busca de uma erva que possa lhe proporcionar a imortalidade
Curso Multiprofissional em Cuidados Paliativos
Coordenadoras:
Analice de Assis Cunha
Enfermeira, especializanda em oncologia na Universidade Gama Filho. Enfermeira do Hospital Premier e do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Estadual de São Paulo – HSPE/SP
Débora Genezini Costa
Psicóloga, especialista em psicologia hospitalar. Mestranda em gerontologia pela PUC-SP. Coordenadora do setor de Psicologia do Hospital Premier e São Paulo Internações Domiciliares.
Marilia Bense Othero
Terapeuta ocupacional, especialista em saúde coletiva. Mestranda em Medicina Preventiva e Social (FMUSP). Coordenadora do Setor de Terapia Ocupacional do Hospital Premier e São Paulo Internações Domiciliares. Coordenadora do Comitê de Terapia Ocupacional da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia - ABRALE.
Estrutura do curso: módulos temáticos, com aulas expositivas, dinâmicas e discussões de caso
Horário das aulas: às quartas-feiras (19h às 220h) e sábados (9h às 17h)
Carga horária: 160 horas
Programação:
Módulo I - Conceitos e princípios dos Cuidados Paliativos - 27/05 e 20/06
Módulo II - Avaliação do paciente em Cuidados Paliativos - 24/06 e 18/07
Módulo III – Práticas em Cuidados Paliativos - 29/07 e 15/08
Módulo IV - Comunicação e trabalho em equipe - 26/08 e 19/09
Módulo V - Abordagem da família e do cuidador - 30/09 e 17/10
Módulo VI - Cuidados ao final da vida e atenção ao enlutado - 28/10 e 18/11
Provas escrita e prática: 21/11
Local:
Auditório do Hospital Premier
Av. Jurubatuba, 461– Brooklin Novo – São Paulo/SP
Inscrições até 22/05/2009
25 vagas, assim divididas:
8 para enfermagem, 4 para fisioterapeutas, 4 para psicólogos, 4 para terapeutas ocupacionais, 3 para assistentes sociais, 1 para nutricionista e 1para fonoaudiólogo.
As vagas serão preenchidas por ordem de inscrição; lista de espera será formada para vagas sobressalentes que serão sorteadas.
Investimento:
R$ 300,00 (inscrição) e R$ 300,00 mensais entre junho e novembro de 2009.
Contato e inscrições:
Secretaria do Instituto Paliar – Sra. Regina (11) 5090-5000 ramal 4473 secretaria@paliar.com.br
Avaliação da dor em Cuidados Paliativos (Maria Goretti Maciel)
Atenção especial deve ser dada ao paciente idoso e aos portadores de demência em qualquer grau. Nestes, alterações de humor e comportamento podem ser interpretados como dor e modificam se adequadamente tratados. Modo geral, os idosos são mais lentos para descrever seu sintoma e alguns têm muita dificuldade para entender e lidar com escalas.
Em qualquer situação: a dor é a que o paciente refere e descreve. Jamais confundida com o que o cuidador ou profissional de saúde imaginam que sente.
Para avaliar a intensidade da dor é recomendado o uso de uma escala. Esta deve ser escolhida de forma a usar uma linguagem acessível ao doente, possibilitando que, ao seu modo, possa identificar quanto a dor o incomoda naquele momento e nos momentos em que fica mais ou menos intensa. Se há melhora com a medicação ou outra atitude. Alguns serviços adotam um diário da dor, anotado pelo próprio paciente ou seu cuidador. De forma prática, pode-as avaliar a intensidade de uma dor solicitando que se atribua uma nota de zero a dez ou criando formas de se apontar pequeno, médio e grande, ou ainda leve, moderada ou intensa.
Se bem compreendida, o paciente vai manter uma coerência com a evolução do alívio ou piora do seu sintoma, possibilitando avaliações subseqüentes.
Há uma tendência mundial de considerar a dor como um quinto sinal vital, aferido pelas equipes de enfermagem nos ambulatórios e nas enfermarias de todos os hospitais, independente do motivo da internação ou visita ao médico. Esta é uma maneira simples e eficiente para aumentar o diagnóstico e estabelecer o tratamento da dor em qualquer circunstância.
Classificação da Dor:
Identificar o tipo de dor é fundamental para que se possa fazer a melhor opção terapêutica. De acordo com a sua natureza a dor pode ser:
Nociceptiva: Quando originada a partir de estimulação de nociceptores. Esta pode ser:
Somática: Receptores da pele e sistema músculo-esquelético. Costuma ser muito bem localizada, descrita simplesmente como dor, contínua e agravada pelo movimento. Melhores exemplos: dor óssea, ulcerações de pele, linfonodos inflamados, etc.
Visceral: Receptores localizados em vísceras. Costuma acontecer em paroxismos (cólicas), mal localizadas, segue muitas vezes trajetos de dermátomos. Ex: dor em couraça das lesões de pulmão, cólicas abdominais.
Neuropática: Originada a partir de lesões ou compressões em estruturas do sistema Nervoso Central ou Periférico. Tem características distintas e pode ser descrita como em choque, queimação, facada ou espinhos. Pode ser desencadeada por um estímulo táctil (alodinia) e ter paroxismos aberrantes (hiperalgesia). Costuma irradiar-se por trajetos nervosos conhecidos. São exemplos: neuropatia periférica do diabético, dor ciática, dor do membro fantasma.
Complexas ou mistas: comumente encontrada em pacientes com tumores, que por seu crescimento podem provocar inflamação, compressão e destruição de estruturas, originando uma dor de múltiplas características e que necessite de uma correta associação de drogas para o seu controle. A dor crônica, não raramente adquire um caráter neuropático pela excessiva ativação de neurônios em sua transmissão.
Maria Goretti Maciel é médica paliativista e sócio-fundadora da ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos)
sábado, 23 de maio de 2009
Simpósio de Bioética Hospitalar em São Paulo
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), o Hospital Alemão Oswaldo Cruz e a Sociedade de Bioética de São Paulo realizam no último sábado deste mês, dia 30, um encontro sobre Bioética Hospitalar.
Confira a programação:
8h30 - Comissões de Bioética Hospitalar - Prof. Dr. Wiliam Saad Hossne
10 h – Intervalo
10h30 – Terminalidade de vida - Prof. Dr. Gabriel W. Oselka
11 h – Cuidado Paliativo - Prof. Dr. Toshio Chiba
11h30 – Bioética e Espiritualidade - Capelã Vera Cristina Weissheimer
12 h – Debate
Anote e participe!
Data: 30 de maio de 2009 – sábado
Local: Hospital Alemão Oswaldo Cruz (Rua João Julião, 331, 14º andar - Bloco B - Paraíso, São Paulo/SP)
Inscrições gratuitas até 25 de maio pelo email: eventos@cremesp.org.br ou pelos telefones (11) 3123-8704 e (11) 3017-9345
sexta-feira, 22 de maio de 2009
A dor crônica no contexto dos Cuidados Paliativos (Maria Goretti Maciel)
Neste sentido, a dor de um paciente portador de uma doença fora de possibilidade de cura pode ter uma conotação terrível pelo fato de anunciar-lhe de certa forma que a sua morte está a caminho.
Para algumas culturas este sintoma também pode ser associado à expiação de culpa ou ser parte natural de uma doença, não podendo ser tratado com sucesso.
Portanto, admitir a importância do alívio da dor desde o início do tratamento de uma doença até as últimas horas de vida é condição fundamental para todos que trabalham com doentes em qualquer especialidade. O conhecimento do seu controle deve ser parte da formação obrigatória de todos os profissionais da área de saúde, sobretudo do médico, responsável pela prescrição de medicamentos imprescindíveis para o seu alívio.
1.Dor Total:
Na década de 1960, a médica inglesa Cecily Saunders acrescentou ao conhecimento da dor o conceito de dor total, através do qual admite que uma pessoa sofre não apenas pelos danos físicos que possui, mas, também pelas conseqüências emocionais, sociais e espirituais que a proximidade da morte pode lhe proporcionar. Saunders estabeleceu a importância de uma abordagem multidisciplinar e da presença de uma equipe multiprofissional para que se obtenha o máximo sucesso no tratamento desta pessoa. De fato, ao abordarmos pacientes portadores de doenças evolutivas e sem possibilidade de cura, percebemos muitas vezes que em determinadas situações os medicamentos não são suficientes para proporcionar o completo alívio da dor maior de viver os últimos dias, de não entender porque está gravemente enfermo, de deixar filhos desamparados, separar-se de seu amor, de não poder sustentar sua família e de não conseguir compreender o real sentido para a sua vida.
2.Dor Geral:
Admitimos que a dor é geral quando ela extrapola os limites da pessoa doente e afeta também as pessoas de sua convivência, sua casa e até a equipe que a atende.
O paciente com uma dor que se arrasta por semanas ou meses dificilmente reclama, chora ou geme. Um mecanismo fisiológico de proteção altera as características da percepção desta dor e as mudanças de humor e comportamento preponderam sobre as queixas específicas. Este mecanismo recebe o nome de modulação e é responsável por alterações de comportamento como a depressão ou agressividade associadas freqüentemente à dor crônica. Aquele paciente encolhido em seu leito, com olhar vago, de poucas palavras e expressão pesada, de cenho franzido deve chamar a atenção do profissional de saúde. Se perguntar se tem dor, pode demorar um pouco a responder, mas, aos poucos vai contar de dores terríveis e intensas, das quais até já se cansou de falar e não ser ouvido.
A visita à casa do paciente revela situação semelhante. Além do doente, a dor contagia toda a família, o ambiente, quem a freqüenta. Após dias de sofrimento testemunhado, as pessoas que convivem com o doente parecem ficar alheios à dor e mergulhar em um outro tipo de sentimento muito profundo, de tristeza e impotência.
O médico e sua equipe também se modificam ao lidar com pacientes que têm dor, quando esta tem difícil controle. Cada nova proposta terapêutica que fracassa aumenta o sentimento de impotência da equipe e, sem perceber, o doente vai sendo menos visitado. As novas alternativas vão sendo testadas sem o mesmo entusiasmo inicial. Um misto de culpa e mais impotência se instalam e imobilizam o trabalho de profissionais desavisados desta possibilidade. Aprender a lidar com estes sentimentos e buscar supera-los deve ser parte do aprendizado da equipe de Cuidados Paliativos.
Artista inglês recria morte macabra de heróis dos desenhos
Obras estão expostas em galeria de arte em londres.

Por mais que tente, o gato Tom nunca consegue se livrar de seu inimigo eterno, o rato Jerry. Essa é a 'ordem natural' dos desenhos animados, mas o artista inglês James Cauty resolveu subverter essa regra em sua nova exposição na Aquarium Gallery, em Londres. Em uma série de quadros, ele recria o que aconteceria se os personagens animados tivessem, finalmente, um fim trágico. Na imagem acima, sobrou para Jerry e para o passarinho Piu-Piu, devorado por Frajola. (Foto: Divulgação)

O gato Tom também acaba mal, assim como Pernalonga, finalmente superado pelo Patolino. (Foto: Divulgação)
Leia mais em:
http://g1.globo.com/Noticias/PlanetaBizarro/0,,MUL783666-6091,00.html
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Delivery no Canadá oferece refeição de condenados à morte
Além da comida, ele recebe máscara de papel com rosto do criminoso.
Um serviço on-line de comida a domicílio promete a seus clientes as mesmas refeições escolhidas por pessoas condenadas à morte nos Estados Unidos. Disponível somente para moradores de Toronto, no Canadá, o Last Meal Delivery cobra US$ 20 por refeição – mesmo valor gasto com a comida para os condenados dos EUA. O pedido deve ser feito com dias de antecedência.
A publicação “Vice Magazine” diz ter testado o serviço, que faz a entrega surpresa para os clientes: eles pedem a refeição sem saber qual será o prato. Uma máscara de papel com o rosto de um presidiário acompanha a comida. “Comer a mesma refeição que alguém pediu antes de ser morto pareceu uma boa idéia”, brincou Nick, o funcionário da revista selecionado para fazer o teste.
Ele diz ter recebido a refeição escolhida por Jimmy Dale Bland, prisioneiro de número 1084, condenado à morte por assassinato. A refeição consistia em três pedaços de frango frito, quatro pedaços de pizza, uma caixa de sorvete de baunilha, um bolo de chocolate, uma garrafa de refrigerante Dr. Pepper. Junto com o pedido, uma máscara de papel com a foto do condenado – “um toque especial”, disse Nick.
matéria completa no site:
http://g1.globo.com/Noticias/PlanetaBizarro/0,,MUL766310-6091,00.html
terça-feira, 19 de maio de 2009
"Menina de Ouro" e "Mar Adentro": Por que tantos querem a Eutanásia? (Erasmo Ruiz)

Creio que muitos de vocês devem ter visto pelo menos um dos filmes. Boa parte talvez tenha visto os dois. "Menina de Ouro " e "Mar Adentro" são bons filmes. Não vou me delongar numa crítica de cinema pois esse não é o objetivo. Reservadamente posso dizer porque gosto mais de "Mar Adentro" apesar de achar "Menina de Ouro" um ótimo filme
Venho até aqui colocar em discussão não os filmes mas tentar "descobrir" porquê fizeram tanto sucesso. O que os dois tem em comum é a narrativa de indivíduos que lutam para que lhe seja aplicada a eutanásia ativa. Ramon San pedro (personagem de Mar Adentro) parece ter uma postura mais cidadã: quer que seu caso se transforme numa problemática nacional para que uma legislação sobre a eutanásia e o suicício assisitido seja instituída. Na melhor tradição americana, em "Menina de Ouro" o problema social é reduzido a realidade de dois indivíduos onde a garota boxeadora que se tornou tetraplégica implora ao seu treinador que ponha termo a sua vida como um gesto de amor.
Mas o que os dois filmes teriam em comum além da tetraplegia dos personagens e suas lutas pela eutanásia? Durante os dois filmes os espectadores são chamados a compartilhar da dor dos perosnagens. Lá pelo final estamos quase prontos, ao sair do cinema, para entrarmos numa ONG qualquer que lute pela morte digna e pela autonomia irrestrita do ato de morrer.
Os personagens nos convidam a refletir sobre nossas própria vidas. Se estivéssemos vivendo suas condições o que faríamos? Confesso a vocês, talvez me irmanasse a luta deles e quisesse morrer. O problema básico é que, nas condições em que estão, precisam da ajuda de outros seres humanos para tal.
Por que se fala tanto em eutanásia hoje em dia? Uma metáfora interessante seria pensarmos na luta entre dois povos. Um, bem equipado militarmente, o outro, com armamentos de qualidade muito inferior, aquilo que os especialistas militares chama de "guerra assimétrica", onde o mais fraco usa de recursos heterodoxos para enfrentar um adversário muito mais poderoso. O mais fraco será apelidado nos noticiários de "terrorista".
Existe hoje uma guerra de concepções sobre como os homens devem morrer. A hegemônica afirma que nossos corpos devem se disciplinar bem comportados diante dos ditâmes do biopoder, em conlúio direto com aqueles que amamos. Significa dizer que existem indivídiuos que fazem parte um corpo técnico/cultural, os TANATOCRATAS, que quase determinam quando e de que forma iremos morrer.
É a percepção de que sofremos além do limite de nossas possibilidades físicas e mentais que alimenta o desejo pela eutanásia ativa. Para fugir do controle daqueles que nos controlam na hora da morte, parte de nós quer determinar com clareza o momento em que iremos sair do palco desse mundo. A luta pela eutanásia é a luta desigual entre o desespero e as normas que controlam o que "temos" de fazer e passar nesse mundo para morrermos
No entanto, há alternativas diante dessa dicotomia. Se as pessoas vissem desde crianças que existem outras possibilidades de se morrer do que aquelas comumente apresentadas...de que podemos morrer fora de UTIs, de podemos estar nem que parcialmente no controle de nossas ações até o fim...de que existem tecnologias e dispositivos que podem controlar a nossa dor e que equipes de profissionais de saúde podem ser preparados para lidar com nossa morte nos encarando nos olhos e não fugindo das perguntas, então... para que a eutanásia se poderíamos tentar aproveitar a vida até o fim?
Os cuidados paliativos são o melhor antídoto contra a luta desesperada e negadora da vida que a eutanásia inadivertidamente pode representar!
Cuidados Paliativos: Recursos na Internet

Disponibilizo neste blog recursos na internet sobre cuidados paliativos. Existe muita controvérsia e desinformação a respeito dessa temática. Como a ênfase da formação dos profissionais de saúde é de base terapêutica, existe uma cultura que percebe nos cuidados paliativos uma prática "menor", um "tapa buracos" ou, como dizemos aqui no Nordeste, uma "gambiarra" quando não se pode "fazer mais nada" pelo paciente. Diante do desamparo produzido pelo saber tradicional ,pode prevalecer a atitude da obstinação terapêutica que produz a ilusão de que algo está sendo feito mas, infelizmente, na maioria das vezes, o que a obstinação faz não são "milagres" mas sim a morte imersa em dor, desamparo e desconhecimento. Abaixo links em lingua portuguesa e estrangeira que oferecem um panorama sobre a temática.
Recursos em Língua Portuguesa
http://www.cuidadospaliativos.com.br/inicio.php
http://www.historiamedicinapaliativa.ubi.pt/
http://www.fau.com.br/pidi/inicio.php
http://www.casadocuidar.org.br/
http://www.oncoguia.com.br/site/index.php
http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=474
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/manual_cuidados_oncologicos.pdf
http://www.alexandracaracol.com/ficheiros/cuidadospaliativosetanatologia.pdf
http://www.inca.gov.br/rbc/n_48/v01/pdf/opiniao.pdf
http://www.scielo.br/pdf/pusp/v14n2/a09v14n2.pdf
http://www.praticahospitalar.com.br/pratica%2048/pdfs/mat%2018.pdf
http://www.fw2.com.br/clientes/artesdecura/revista/musicoterapia/monog_lizandra.pdf
http://www.alzheimer.med.br/masnoticias.pdf
http://www.scamilo.edu.br/pdf/mundo_saude/32/03_Novas%20pers.ectivas%20cuida.pdf
http://www.portalmedico.org.br/revista/bio1v4/distanasia.html
Recursos em Línguas Estrangeiras
http://www.cuidadospaliativos.org/
http://www.paliativoscanarias.org/
http://www.palliativecare.org.au/
http://www.secpal.com/index.php
http://www.stchristophers.org.uk/
http://www.helpthehospices.org.uk/
http://www.epec.net/EPEC/webpages/index.cfm
http://www.rwjf.org/pr/product.jsp?id=20938
http://www.federaciocristians.org/Metges/Buscar/10_eutanasia/05.05_sedacio_porta.pdf
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Sessão Averroes de maio exibirá filme japonês
Destinadas sobretudo a profissionais e estudantes da área de medicina e saúde, as SESSÕES AVERROES acontecem mensalmente, sempre às 19h da última segunda-feira de cada mês, seguidas de debate com críticos de cinema, profissionais da saúde e jornalistas. São co-realizadores a Faculdade de Medicina de Itajubá (MG), o Instituto Paliar e a Oboré. O objetivo é discutir, a partir da exibição de filmes, os Cuidados Paliativos.
Depois da vida (Wandâfuru raifu), de Hirokazu Kore-Eda.
Japão, 1998, 35 mm, cor, 118’. Legendas em português. Exibição em DVD.
Num local, entre o Céu e a Terra, pessoas que acabaram de morrer são apresentadas aos seus guias espirituais. Durante os três dias seguintes, eles auxiliam os mortos a vasculhar suas memórias em busca de um momento inesquecível de suas vidas. O momento escolhido será recriado num filme, que será uma espécie de lembrança a ser levada para o paraíso.
Próximas Sessões:
Sempre às 19h da última segunda-feira de cada mês:
• 29 de junho: O signo da cidade ( Carlos Alberto Riccelli, Brasil, 2008)
• 27 de julho: O escafandro e a borboleta ( Julian Schnabel, França/EUA, 2007)
SESSÃO AVERROES - CINEMA E REFLEXÃO
Dia 25 de maio, segunda-feira, 19h
Cinemateca Brasileira - Largo Senador Raul Cardoso, 207
[próximo ao metrô Vila Mariana, DETRAN e Instituto Biológico]
Entrada franca
Informações: (11) 3512.6111 r 215
domingo, 17 de maio de 2009
Mulher volta à vida durante seu próprio velório no Peru
'La muerta', como ficou conhecida, diz que só estava com dor de estômago.
Uma mulher que foi declarada clinicamente morta voltou à vida para a surpresa e o assombro das pessoas presentes em seu velório em um povoado do norte do Peru, informou nesta terça-feira (1º) a imprensa local.
Felicita Guizabalo, de 33 anos, vítima de um câncer generalizado, recobrou seus sinais vitais no sábado passado, quando era velada por amigos e familiares. A mulher abriu os olhos e começou a se mexer na frente de todos.
"La muerta", como agora é chamada na cidade, contou à rádio RPP que agora se está bem e voltou a viver pela bênção de Deus. "Eu só estava com uma dor de estômago, mas Deus me curou e me devolveu a vida", afirmou.
Link dessa notícia:
http://g1.globo.com/Noticias/PlanetaBizarro/0,,MUL383821-6091,00.html
Pesquisa sobre o significado moral da eutanásia na visão do profissional, do moribundo e dos familiares
Esse é o resumo:
(INTRODUÇÃO): Explanação fenomenológica a partir de um documentário sobre os significados morais da eutanásia para os agentes (profissionais, familiares e moribundos) envolvidos no processo do direito de morrer. (OBJETIVOS): Pretende-se explanar as questões morais subjetivas que estão envolvidas com a prática da eutanásia e do suicídio assistido nos países onde isso é legalizado a partir de um estudo de caso. (MÉTODOS): Aplicou-se o método fenomenológico para investigar a compreensão do significado das questões morais vivenciadas pelos envolvidos (familiares, profissionais de saúde e moribundos) no processo terapêutico conhecidos como eutanásia e suicídio assistido. Optou-se pela técnica de estudo de caso, selecionando uma história real documentada pela BBC. (RESULTADOS): Encontrou-se diversos conceitos para os termos eutanásia e suicídio assistido, alguns contraditórios e outros em desuso, exigindo sua delimitação conceitual. Optou-se pela abordagem que considera eutanásia e suicídio assistido como termos correlatos à ação praticada por profissional de saúde com o intuito de aliviar a dor e o sofrimento por meio da abreviação da vida. No primeiro caso, por sua atuação direta; no outro, por meio do seu auxílio indireto. Em termos de construção de significado moral, observou-se que o profissional age motivado pela noção de cumprimento do dever fundamentado na solidariedade e na autonomia do moribundo, noção essa reforçada pelos familiares. Já o moribundo, tem como regra moral a de viver sua vida só até o limite da suportabilidade, para si e para seus entes queridos. Percebe-se que tanto para o moribundo quanto para seus familiares a noção de limite do sofrimento é bastante cultuada, cuja fronteira, quando ultrapassada, não resolveria nenhum problema e aumentaria muito o sofrimento. O processo de luto antecipatório pode ser uma variável que torna essa noção mais aceitável. (CONCLUSÃO): Os significados morais dos agentes envolvidos com o direito de morrer são diferenciados segundo suas particularidades, mas, possuem alguns aspectos em comum: o respeito à autonomia do moribundo, o caráter profissional da ação, o conforto da dor e o alívio dos sintomas, não antecipar a morte enquanto viver não for insuportável. Nesse sentido, pode-se dizer que o principal valor moral do direito de morrer é a manutenção da dignidade humana do moribundo.
sábado, 16 de maio de 2009
Exposição com cadáveres gera polêmica na Alemanha: É possível fazer sexo após a morte?

Vamos continuando a explorar esse filão complexo da inter-relação entre arte e morte. Sempre presente desde as cavernas de Altamira, essa relação ganha novos aspectos antes não previstos. Se na pintura e na literatura essa associação fazia parte no passado de uma "ars moriendi", hoje, dado o afastamento coletivo do reflexão existencial sobre a morte, tende a aparece como algo bizarro e, como tudo que é reprimido (em parte semelhante a sexualidade), acaba por chamar a atenção. E falando da associação entre sexo e morte, parece que o anatomista Gunter Von Hagens demonstrou que essa possibilidade existe num plano até então não pensado. Inventor de uma revolucionária técncia de preservação de cadáveres, ele tem rodado o mundo apresentando uma exposição um tanto exótica por mostrar cadáveres que se "comportam" como se estivessem vivos. A notícia abaixo fala um pouco sobre isso e, principalmente, da polêmica de se colocar dois cadáveres fazendo sexo. Seria uma forma nada sutil de negação da morte? Ou artimanhas do inconsciente colocando Eros e Thanatos mais próximos do que a maioria deseja? No final, disponibilizamos links para que você possa fazer sua visita virtual e tirar suas conclusões. E ai, quem gostaria de ser um participante "ativo" dessa exposição?
Exposição com cadáveres gera polêmica na Alemanha
Gunther von Hagens |
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O projeto "Body Worlds" (mundos dos corpos), do anatomista alemão Gunther von Hagens, que vinha provocando polêmica em vários países por causa do uso de cadáveres na concepção de obras de arte, abre nesta quinta-feira uma exposição em Berlim que reproduz uma cena de sexo. "Nossa exposição se chama O Ciclo da Vida, e nela mostramos tudo, desde a concepção até a morte", justifica Von Hagens. "Morte e sexo são temas tabus. Eu coloco os dois juntos. A morte faz parte da vida, e sem sexo a vida não existe."
Segundo ele, as pessoas cujos cadáveres foram utilizados na obra jamais se conheceram quando vivas, tendo sido unidas uma à outra postumamente. No processo de conservação desenvolvido por Von Hagens, conhecido como "plastinação", os cadáveres são tratados com cerca de 200 quilos de silicone, durante um complicado procedimento que levou mais de quatro mil horas para ser concluído.
Gunther von Hagens garante que os doadores permitiram por escrito que seus corpos fossem expostos simulando um ato sexual. O homem teria morrido aos 51 anos de câncer pulmonar, e a mulher, aos 58 anos."Nos formulários de doação, dois terços dos homens e um terço das mulheres se concordaram que seus corpos fossem usados para representação de um ato sexual."
Gunther von Hagens |
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Acusado por alguns de romper códigos éticos ao lucrar com corpos humanos em exposições comerciais, o médico alemão rebate agora críticas de que estaria promovendo a pornografia, afirmando que suas exposições têm um lado educativo. "Elas ensinam os visitantes mais do que qualquer aula de biologia e revolucionam o aprendizado da anatomia. Ela não tem nada a ver com pornografia, não se presta a estimular ninguém sexualmente", defende.
Na técnica da plastinação, inventada por Hagens nos anos 70, os líquidos dos tecidos corporais são extraídos e substituídos por uma substância plástica especial. A Igreja Católica tem sido uma das maiores críticas das exposições promovidas pelo médico, que já passaram por diversos países.
O "Doutor Morte", como foi apelidado pela imprensa alemã, traz a Berlim seu "Body Worlds" oito anos depois da última apresentação na cidade. Na época, a exposição atraiu mais de 1,3 milhões de visitantes.
Em Heidelberg, onde O Ciclo da Vida esteve por quatro meses até o fim de abril, 300 mil pessoas visitaram a exibição. A mostra fica em cartaz na capital alemã até 30 de agosto. Atualmente, outras exposições do projeto "Body Worlds" estão ocorrendo em Grã-Bretanha, Espanha, Israel e em duas cidades americanas.
Mais informações sobbre a exposição em
http://www.bodyworlds.com/en.html
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Visita à Exposição De Arte e Animais Mortos

Instigado pelo Post de Ayala Gurgel resolvi achar fotos da referida exposição. E não é que eu encontrei? A arte muitas vezes nos apresenta desafios. Particularmente tenho uma certa dificuldade de ser vanguardista em arte. Na verdade, só gosto dela quando fica um tanto envelhecida e, dessa forma, deixa de ser vanguarda. Abaixo as fotos para, quem sabe, deleite de alguém.




















Câncer: pacientes têm direito a benefícios legais (Carolina da Gama)
Carolina da Gama
Ao receber de seu médico o diagnóstico de câncer, a vida do paciente começa a sofrer diversas transformações: o tratamento pode envolver sessões de químio e radioterapia, que frequentemente têm efeitos colaterais debilitantes, como náuseas, fadiga, perda de apetite, inflamações na pele e na boca e perda de cabelo. Mas essas não são as únicas transformações. A vida de um paciente com câncer também é alterada no plano legal: ela adquire alguns direitos especiais junto a órgãos públicos e até em situações como quitação de financiamentos e compra de veículos.
A professora Eliana Pereira de Camargo descobriu em 2005 que tinha um câncer de mama. De seu oncologista, além das recomendações a respeito do tratamento, ela recebeu uma cartilha com os direitos do paciente com a doença. Curada, ela acredita agora que a qualidade do tratamento não teria sido a mesma caso não tivesse lido com atenção a cartilha. No documento, ela descobriu, por exemplo, que poderia sacar seu saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e ainda o dinheiro do PIS/Pasep. Boa parte da soma foi utilizada para custear gastos com remédios e sessões de radioterapia. "O FGTS foi o que mais me ajudou. Com a doença, surgem também gastos mensais que estouram o orçamento", lembra.
Poucos pacientes conhecem seus direitos. Foi o que descobriu a advogada pernambucana Antonieta Barbosa, que enfrentou a doença em 1998 e logo passou a se informar sobre o que dizia a legislação a respeito dos pacientes com câncer. A advogada descobriu, por exemplo, que pagava indevidamente o financiamento de sua casa, pois tinha direito a pedir à Caixa Econômica Federal a quitação do imóvel. O resultado de suas batalhas no mundo jurídico estão reunidas no livro Câncer: Direito e Cidadania, um dos principais guias para os pacientes da doença.
Casa e carro - Há casos emblemáticos de desconhecimento e desrespeito à legislação. Um deles é o direito ao saque do FGTS. "Muitas pessoas acreditam que ele só pode ser feito por pessoas em estágio terminal. Não é verdade: assim que recebe o diagnóstico, o paciente já pode ir à Caixa sacar o dinheiro", explica Antonieta. Outro é o caso de pessoas que tentam financiar imóveis: o empréstimo muitas vezes é negado por causa do histórico de câncer. "Isso é ilegal", alerta a advogada.
Outros benefícios tentam atender a necessidades preementes de pessoas que lutam contra o mal. É o caso da redução de impostos para a compra de carros novos com direção hidráulica. Mesmo curada, Eliana perdeu parte da força no braço em razão de esvaziamento das glândulas axilares durante a cirurgia para retirada do tumor. Por isso, para ela dirigir se tornou uma atividade bastante dolorida. Daí, a importância da isenção.
"A licença remunerada do trabalho, o dinheiro do FGTS, meu carro novo e a possibilidade de conseguir alguns remédios de graça foram prerrogativas que me possibilitaram enfrentar a doença e suas conseqüências com mais conforto e qualidade de vida", revela Eliana. Para fazer valer o direito, a advogada Antonieta Barbosa aconselha: "É preciso que os pacientes sejam informados sobre seus direitos e que se lembrem sempre de guardar documentos como laudo médico, contrato de seguro e extratos do FGTS: assim fica mais fácil conseguir os benefícios e enfrentar o tratamento com mais dignidade".
A matéria completa, inclusive um quadro com os principais benefícios, encontra-se no site:
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia-saude/cancer-provoca-mudancas-vida-legal-pacientes-468476.shtml
Animais mortos viram obras de arte em exposição chocante na Inglaterra
Objetivo dos artistas é acabar com a arte abstrata que domina o mercado.
Uma exposição que fará parte do London Design Festival promete chocar os visitantes do evento, entre os dias 13 e 23 de setembro na capital inglesa.
Ela vai unir talentosos designers e artistas de vanguarda, objetos do cotidiano e animais - alguns deles aparentemente mortos há pouco tempo acomodados em taças, bandejas e urnas de vidro.
As obras, consideradas perturbadoras, representam uma corrente artística na qual os criadores contemporâneos propõem um retorno a formas realistas em seu trabalho, rejeitando as abstrações que dominam o mercado de arte. Eles buscam inspiração em criaturas vivas e tentam provocar reações intensas no público.
Na edição de 2007, o festival de design foi visitado por 350 mil pessoas de 32 países, segundo o site do evento.
Notícia extraída de:
http://g1.globo.com/Noticias/PlanetaBizarro/0,,MUL643883-6091,00.html